Blatter é reeleito presidente da FIFA sob um mar de escândalos

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BlatterImpunidade, reformas vazias e escândalos abafados. Foi assim que a FIFA resolveu a sua pior crise nos últimos anos. Depois de fechar acordos políticos com dezenas de federações, o suíço Joseph Blatter conseguiu o seu quarto mandato à frente da organização e ficará no cargo até 2015.

  Prometeu mudanças. Mas garantiu que não haverá intervenção externa e muito menos a investigação do passado. A ordem na organização era só uma : dar imagem de reforma, enquanto o poder ficava nas mãos do mesmo grupo.
  Blatter foi o único candidato a apresenta-ser às eleições, depois de ter conseguido  que o Comité de Ética da FIFA, escolhido por ele mesmo, suspendesse Mohamed Bin Hammam, do Catar, sob a alegação de pagamento de “favores”. "Eu iria ganhar e Blatter sabia disso", disse o asiático depois das eleições. No fim, Blatter obteve 186 dos 206 votos possíveis.

  Para acalmar o que Blatter chamou de "ira popular", anunciou reformas. A primeira refere-se à escolha das sedes dos próximos Mundiais. Os 24 delegados do Comité Executivo são acusados de terem vendido os seus votos para dar o Campeonato do Mundo de 2022 ao Catar. A solução foi voltar ao modelo de 1966, dando o poder de escolher as sedes às 208 federações nacionais. A meta é a de diluir a influência de cada um dos delegados e, assim, reduzir a tentação de pagar por votos. O dirigente jamais admitiu o pagamento de “favores”. Mas sua reforma é a demonstração de que de facto ocorreram.
  A reforma da FIFA não passa de uma miragem. Isso porque a próxima escolha para a sede do Mundial irá ocorrer em 2019, quando Blatter e a maioria do seu grupo provavelmente já terão deixado a FIFA

  A segunda medida é a criação de Comité de Ética independente. Mas sem agentes externos. Os juízes serão eleitos pelas 208 federações e nada será feito com intervenção externa. "Temos de resolver nosso problemas dentro de nossa casa mesmo", disse o presidente.
  A terceira medida é mais iníqua: a criação de Comité de Soluções, com o norte-americano Henry Kissinger.
Blatter não soube explicar o que fará esse grupo. Há um mês, anunciou que seu plano era criar um  Comité com pessoas externas à FIFA. Depois de re-eleito, mudou de opinião.