Benfica venceu Beira-Mar mas não convenceu e foi assobiado pelos adeptos no Estádio da Luz

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Benfica venceu Beira-Mar mas não convenceu e foi assobiado pelos adeptos no Estádio da Luz

Há quatro dias, na Luz, à custa de um golo madrugador e da sua incomparável ciência de posse de bola, o Barcelona marcou a distância que separa o Benfica do topo do mundo.

 No sábado, novamente com um golo madrugador, coube ao Beira Mar, pelo caminho in-verso, mostrar como não é preciso ter bola para criar problemas complicados à equipa de Jorge Jesus.
 Tudo começou num erro individual, é certo. Mas a má saída de Artur, que facilitou o golo de Sasso, logo aos 5 minutos, foi uma porta de entrada para uma primeira parte quase totalmente falhada. A atacar, sim, mas também na organização defensiva.
 Só assim se explica que um avançado deixado praticamente à sua sorte, como o combativo Abel Camará, conseguisse arrancar cinco faltas no meio campo encarnado, permitindo à sua equipa espaço e tempo para respirar.
 Em vantagem, foi ainda mais evidente que o objectivo de Ulisses Morais passava por encurtar o campo. O 4x1x4x1 dos aveirenses agrupava-se numa faixa de 30 metros, obrigando Melgarejo a pisar os calcanhares a Gaitán, Maxi a jogar no espaço de Salvio, Rodrigo a vir buscar jogo junto a Matic, e assim sucessivamente. Com as movimentações limitadas de Enzo Pérez, faltava um fio condutor à construção de ataques dos encarnados, que por esta altura tinham Lima quase perdido para o jogo, numa luta com os centrais que acentuava a lembrança do lesionado Cardozo, nunca tão útil como neste tipo de jogos.
 Foi, assim, com um cerco quase constante, mas de poucos frutos, à área de Rui Rego que a primeira parte se esgotou.
 No registo de incidências, apenas dois momentos que poderiam ter antecipado a reviravolta. Primeiro um remate de Salvio, ao poste, após cruzamento de Melgarejo (32 m).
 Depois, mesmo em cima do intervalo, o penalti assinalado por derrube a Maxi, que Rodrigo atirou para as mãos do atento Rui Rego.
 Poderia pensar-se que com esse fator adicional de perturbação, traduzido em alguns assobios no regresso às cabinas, o Benfica iria entrar para a segunda parte a acentuar os sintomas de nervosismo e insegurança.
 Mas para poder explorar isso, o Beira Mar precisava de ter outra capacidade para se soltar e, mesmo que pontualmente, dar companhia mais próxima ao seu único avançado.
 Mantendo a aposta nas linhas compactas, em redor da área, a equipa de Ulisses ex-punha-se ao erro.
 Até porque correr atrás da bola cansa, desgasta e abre espaços, como o Benfica tinha percebido às suas custas na última terça-feira. Com o flanco esquerdo dos encarnados a aumentar de intensidade foi, sem surpresa, de um cruzamento de Melgarejo que nasceu o golo da reviravolta: a defesa do Beira Mar demorou a afastar o perigo, Salvio insistiu, e Maxi, a funcionar novamente como segundo extremo, deu literalmente a volta ao jogo, e a si próprio, facturando o empate com uma meia bicicleta acrobática (58 m).
 O empate ia obrigar o Beira Mar a pensar em estender um pouco mais o jogo para impedir que o entusiasmo encarnado transformasse a meia hora final num massacre.
 Mas nem houve tempo para pensar: dois minutos depois do empate, Jaime perdeu a bola em zona proibida, Rodrigo roubou-lha e tabelou com Lima, recebendo a oferta do companheiro para o 2-1.
 Faltava mais de meia hora, mas o jogo pouco mais teve para oferecer, mesmo com as entradas de Martins, Nolito e Bruno César, e com o refrescar no ataque por parte de Ulisses.
 Em parte porque o Beira Mar, obrigado a recorrer ao plano B, mostrou poucos argumentos para alimentar a chama de um empate.

• REACÇÃO NO FINAL DA PARTIDA
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 Jorge Jesus, treinador do Benfica, analisa o golo acrobático de Maxi Pereira:
  “O Maxi parece que está a morrer, que não vai, mas vai sempre. Não está a fazer um início de época ao nível dele, como é já costume, mas mesmo quando não corre bem ele vai, manda-se para os sítios perigosos, acredita que em qualquer momento pode conseguir (risos). E aconteceu um golo que eu não esperava . Parabéns para ele, este golo acontece pelo seu carácter.”
Ulisses Morais, treinador do Beira-Mar:
 “Não comento a arbitragem, mas teve influência. Confio no meu trabalho e no trabalho de quem trabalha comigo. Não confio em mais nada. Temos de lutar contra tudo e mais qualquer coisa. Não tenho dúvidas que vamos conseguir os nossos objetivos.Estávamos preparados para um jogo sério e limpo. Quando as coisas não são assim, fica-mos incomodados. Gostava que este futebol fosse um jogo mais limpo.”