Benfica vence Hapoel de Telavive mas não convenceu

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Benfica vence Hapoel

Benfica vence HapoelO Benfica venceu o Hapoel de Telavive, por 2-0, em jogo do Grupo B da Liga dos Campeões europeus, mas esteve longe de convencer, deixando a nu as razões do mau início de época.

 Os encarnados evidenciaram notórias dificuldades em impor um ritmo de jogo elevado, ao contrário do que sucedeu há um ano, quando constituíam um verdadeiro “cilindro compressor” que arrasava os adversários.
 Este Benfica fez lembrar um carro movido a gasóleo, bem diferente do topo de gama a gasolina com muitos aditivos da época passada, tais os níveis de intensidade, agressividade e profundidade que conseguia imprimir ao seu jogo desde o primeiro minuto.
 O Benfica campeão nacional era uma equipa que resolvia os jogos na primeira meia hora, durante a qual subjugava os adversários, sujeitando-os a uma pressão intensa que não os deixava respirar. Este Benfica joga a um ritmo muito mais lento e pausado, logo mais previsível e suscetível de ser contrariado.

 Um dado estatístico elucidativo foi o facto do modesto Hapoel, a jogar no estádio da Luz, ter tido mais tempo de posse de bola do que o Benfica (56 por cento contra 44) e de, em momento algum, ter sido verdadeiramente pressionado.
 O Benfica chegou ao golo relativamente cedo, aos 21 minutos, por Luisão, numa rotação à ponta de lança na área, após cruzamento de Carlos Martins, mas nada tinha feito até aí para justificar esse golo.
 O Hapoel, que demonstrou ser uma equipa tacticamente bem organizada e com joga-dores tecnicamente evoluídos, pôde desenvolver o seu jogo sem nunca ser pressionada, excepção feita ao início da segunda parte, o que evidencia a deficiente condição física dos jogadores “encarnados”, sem capacidade para mudanças de velocidade.

 Muitos deles estiveram no Mundial, justificação dada por Jorge Jesus para o atraso na sua condição física, mas o jogador que evidencia mais an-damento jogou na África do Sul: Fábio Coentrão. Os casos mais flagrantes são os de Cardozo, Saviola, Ruben Amorim e Javi Garcia.
 O Benfica chegou ao intervalo a vencer, mas com a desconfortável sensação do Ha-poel ser capaz de chegar ao empate, porque o Benfica re-velou também alguma vulne-rabilidade nas transições defensivas.
 A equipa de Jesus não assumiu o comando do jogo e a mobilidade, capacidade de desmarcação e rápidas tabelas e triangulações, tão naturais na época passada, raramente entraram.

 Na segunda parte o Benfica entrou a pressionar mais à frente, mas foi sol de pouca dura porque os jogadores não têm capacidade para o fazer por muito tempo, pelo que o jogo não tardou a voltar ao cariz da primeira parte.
 Aliás, o Hapoel, que ao intervalo dividia o tempo de posse de bola com o Benfica (50 por cento para cada lado), foi assumindo gradualmente al-gum ascendente no controlo e circulação da bola, mas revelando alguma ingenuidade no último terço do campo.
 Os encarnados deram o “xeque-mate” no jogo aos 68 minutos, com um golo de Car-dozo, que deve ter feito numa das piores exibições com a camisola do Benfica, mas o resultado foi muito melhor do que a exibição.

 O paraguaio não se livrou, aliás, de uma enorme assobiadela dos adeptos, por ter feito um gesto com o indica-dor como que mandando calar os adeptos. Uma daquelas raras ocasiões em que o jogador que marca não recebe apenas aplausos.

FICHA DE JOGO
 Encontro no Estádio da Luz, em Lisboa.
 Resultado:
 Benfica-Hapoel, 2-0.
 Ao intervalo: 1-0.
 Marcadores:
 1-0, Luisão, 21 minutos.
 2-0, Cardozo, 68.
 Equipas:
 Benfica – Roberto, Ruben Amorim, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Carlos Martins, Gaitán (Maxi Rodriguez, 57), Aimar (Airton, 71), Saviola (César Peixoto, 86) e Cardozo.

Hapoel – Enyema, Bondarv, Douglas da Silva, Fransman (Badier, 74) Bem-Dayan, Rocchi (Shivhon, 61), Yadin, Vermouth, Zahavi, Sahar (Tamuz, 57) e Schechter.
 Árbitro: Aleksei Nikolaev (Rússia).
 Acção disciplinar: cartão amarelo para Schechter (22) e Bem Dayan (60).