BCP: Líderes europeus têm dado festival de incompetência

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BCP: Líderes europeus têm dado festival de incompetência

O presidente do BCP considera que os líderes europeus têm dado um “festival de incompetência” e criticou especialmente as decisões quanto à dívida soberana de Estados europeus.

 “Poucas vezes assisti a um festival de incompetência como o dado pelos líderes europeus”, afirmou Santos Ferreira na apresentação de resultados do banco nos primeiros nove meses do ano.
 Segundo o responsável, até há pouco tempo as obrigações soberanas de países europeus eram consideradas títulos sem risco, pelo que “a pior decisão foi ter-se tornado activos sem risco em activos de risco”.

 Agora, “quero ver quem vai investir nessa dívida”, acrescentou Santos Ferreira, ironizando ainda que a sua visão deve estar errada, porque vê “muita gente inteligente a dizer o contrário”.
 Na semana passada, no âmbito da cimeira europeia, foi decidido os bancos perdoarem 50 por cento da dívida grega e avaliarem a preços de mercado a sua exposição às dívidas soberanas, o que levou os bancos portugueses a verem aumentadas as suas necessidades de capital, entre os quais o BCP, que terá de aumentar os fundos próprios em 1.750 milhões de euros até final do primeiro semestre de 2012.

 O presidente do BCP disse ainda que considerou “curioso” o reforço de capitais a que os bancos estão agora obrigados, em que dos 106 mil milhões de euros de capital necessários em toda a Europa, 70 por cento referem-se a instituições de Portugal, Grécia, Itália e Espanha.

 “Ao início não percebi como países tão expostos à dívida grega precisavam de tão pouco capital. Mas, além do corte da dívida grega em 50 por cento, os bancos tinham de fazer avaliação da dívida soberana a preços de mercado, o que significou que os bancos que tivessem dívida alemã registavam mais-valias que compensavam a dívida portuguesa ou espanhola que tivessem”, disse.
 O responsável acrescentou mesmo, num tom bem-disposto, que o BCP registou mais-valias com a dívida pública da Roménia.

 O resultado líquido acumulado do BCP caiu 72,7 por cento para 59,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano face ao período homólogo, penalizado pelo provisionamento da dívida pública grega em 136,1 milhões de euros.

* BCP recusa fusões

 O presidente do BCP recusou fusões de instituições bancárias em Portugal “neste momento” e lembrou que uma operação desse género acarretaria despedimentos.
 “Fusões em Portugal neste momento arriscam-se a destruir valor se forem feita entre bancos de dimensão”, afirmou na apresentação de resultados do banco.
 O responsável disse ainda preferir fusões em períodos de crescimento do que em re-cessão, lembrando que operações desse género no momento actual se traduziriam em “encerramentos de balcões e despedimentos”.