BCP corta nas reformas de ex-administradores

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BCPO Banco Comercial Português (BCP) vai mexer nas reformas dos seus ex-administradores. Depois de já ter cessado o pagamento das regalias que muitos deles mantinham após deixarem funções na instituição, o banco está a "ultimar a análise pormenorizada do regime de reformas pagas" a estes ex-administradores, a fim de que estas sejam revistas, devendo contactá-los em breve, de acordo com a carta enviada pelo Conselho de Administração executivo a estes ex-gestores, conforme refere o Diário de Notícias na sua edição da passada segunda-feira.

 No dia 23 de Dezembro, o órgão executivo liderado por Carlos Santos Ferreira endereçou uma carta a cada um dos ex-administradores reformados. Nesta, o Conselho de Administração dava conta de uma deliberação do Conselho de Remunerações e Previdência, presidido pelo comendador Joe Berardo, aprovada pelo Conselho Geral e de Supervisão e com a concordância do presidente da mesa da Assembleia Geral.
Assim, dando cumprimento a esta deliberação, o BCP anunciava que cessaria o pagamento das despesas inerentes aos automóveis nas mãos destes ex-administradores, incluindo os salários dos motoristas, a partir de 1 de Janeiro de 2010.

 Além deste tipo de despesas, o banco informou ainda que não pagaria quaisquer outras facturas de despesas de deslocações que lhe sejam apresentadas, com data de 2010. Santos Ferreira informava ainda que a deliberação em causa tinha sido tomada após consultas efectuadas junto de peritos externos.

 Além do fim destas despesas, o banco suspendeu o contrato de segurança privada, de que beneficiava o fundador do banco Jardim Gonçalves. Este ex-presidente conta, em permanência, com dois seguranças privados, o que perfaz um total de seis homens destinados a esta tarefa por dia.
 Recorde-se também que Jardim Gonçalves utilizava um avião alugado pelo BCP para as suas deslocações ao estrangeiro, possibilidade que passou igualmente a ser cancelada desde o início do ano.

 Segundo fontes contactadas pelo Diário de Notícias, o fundador do banco continuou a alugar o Falcon 2000 ainda durante 2009, mesmo depois de saber que tal possibilidade lhe ia ser vedada.
 Também o actual Conselho de Administração do BCP reduziu o recurso ao aluguer do jacto privado a situações excepcionais.
 Segundo o DN, alguns ex-gestores do banco acataram de imediato as indicações contidas na carta e entregaram as viaturas ao banco. E esta devolução de viaturas estendeu-se não só aos reformados como também a alguns ex-administradores que cessaram o vínculo laboral com a instituição, mas mantiveram para seu uso pessoal os carros do banco.

 Quanto à revisão do valor das reformas, um mês após o envio da missiva em que o Conselho de Administração dava conta de um futuro contacto, até agora tal ainda não aconteceu.

 Estas duas "ofensivas" dos actuais órgãos sociais do BCP junto dos seus ex-administradores prometem abrir mais uma frente de batalha no banco. A aceitação desta deliberação do Conselho de Remunerações não é consensual e alguns destes gestores poderão mesmo recorrer à via judicial para contestar a intenção do banco.
 A deliberação em causa baseiase na não validade dos acordos celebrados, desconhecendo-se a argumentação da mesma.