Bancos portugueses precisam de 838 milhões de euros para cobrir riscos de crédito

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Bancos portugueses precisam de 838 milhões de euros para cobrir riscos de crédito

A inspecção da troika detectou que as necessidades dos oito maiores bancos portugueses – CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Montepio, Crédito Agrícola e Banif…

ascendiam, no final do primeiro semestre, a 838 milhões de euros para cobrir imparidades de crédito. No entanto, o montante acabou por descer, já que as instituições detinham, a nível global, “almofadas” de 339 milhões.
 Deste montante, os técnicos só consideraram 242 milhões, pelo que o valor global das necessidades efectivas de reforço para imparidades de crédito desceu para 596 milhões de euros.
 Nesta inspecção estiveram envolvidos 226 peritos que, após 110 mil horas de trabalho, confirmaram a solidez dos bancos, identificando “oportunidades de melhoria”.

 “No que se refere à avaliação das carteiras de crédito foi estimada a necessidade de reforço de 838 milhões de euros no valor das imparidades registadas para a carteira de crédito analisada (não considerando almofadas de imparidade existentes nessa data), de forma a atingir níveis de provisionamento robustos”, revelou a semana passada o Banco de Portugal em comunicado.
 Este montante corresponde a 9,1% do total da imparidade constituída para os créditos abrangidos pelos trabalhos de inspecção e 0,3% do montante global desses créditos.

 “O efeito no total das imparidades do conjunto dos oito grupos bancários é contudo menor, pois as necessidades de reforço referidas são parcialmente compensadas pela reafectação de imparidades identificadas como disponíveis em 30 de Junho de 2011, relativas à globalidade das carteiras de crédito, num valor total de 339 milhões de euros”, explica.

 Adicionalmente, no terceiro trimestre de 2011, os grupos bancários registaram um reforço de imparidades de 208 milhões de euros”, explica a entidade supervisora liderada por Carlos Costa.
 No que se refere à revisão do cálculo de requisitos de fundos próprios para risco de crédito, o programa especial de inspecções à banca portuguesa, exigência da troika no âmbito do programa de assistência financeira a Portugal, identificou a necessidade de efectuar correcções pontuais, “totalizando cerca de 0,6% do valor total estimado desses requisitos”.

* OPORTUNIDADES DE MELHORIA

 A auditoria permitiu concluir que as políticas de gestão do risco de crédito e respectivos procedimentos de controlo “são globalmente adequados, não obstante terem sido identificadas oportunidades de melhoria”.
 Assim, o supervisor vai exigir aos grupos bancários que mantenham critérios “conservadores na determinação das imparidades” e vai “requerer que os grupos bancários adoptem as medidas de ajustamento adequadas, com prioridades e prazos claramente definidos para a sua implementação.”.

 Nesta inspecção estiveram envolvidos peritos designados pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e entidades de supervisão da União Europeia.
 A avaliação das carteiras de crédito foi assegurada pela Ernst & Young e pela Price-waterhouseCoopers.
 Estas empresas de auditoria analisaram os níveis de imparidade individual de uma amostra direccionada, abrangendo os 50 grupos económicos com maior exposição creditícia junto de cada grupo bancário.

No total, foram objecto de análise individual 5.516 mutuários e 61.531 dossiers de crédito, cobrindo mais de 50% da carteira de crédito incluída no âmbito dos trabalhos de inspecção.
 Por sua vez, para o processo de cálculo de requisitos de fundos próprios, foram analisados 16,6 milhões de contratos/exposições, referentes a cerca de 7,7 milhões de devedores e incorporando 2,3 milhões de técnicas de mitigação de risco.

* BCP lidera imparidades de crédito

 O banco liderado por Carlos Santos Ferreira tem de contabilizar mais 207 milhões de euros em imparidades de crédito.
 Foram identificadas necessidades globais de 381 milhões de euros, mas o banco já registou 174 milhões de euros no terceiro trimestre.
 Ao BES foram exigidos 125 milhões, mas como já contabilizou 21 milhões, faltam-lhe agora 104 milhões de euros.

  Por sua vez, dos 90 milhões identificados ao Banif, o banco já cobriu 20 milhões, faltando reforçar provisões em 70 milhões.
 Já ao Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Montepio não foram obrigados a reforços, uma vez que têm os “níveis adequados”.
 Por último, a CGD adianta que tem uma folga de cinco milhões, considerando que reforçou as reservas em 158 milhões, quando a troika contabilizou 153 milhões de imparidades.

* S&P DESCE RATING PARA LIXO

 No dia em que foram conhecidos os resultados da inspecção, a agência Standard & Poor´s baixou o rating do BES, BPI, BCP e CGD para “lixo” e admite novos cortes, na sequência de novas regras de avaliação.