Banco Espírito Santo está em grandes dificuldades financeiras

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Banco Espírito Santo está em grandes dificuldades financeiras

Ricardo Salgado, na qualidade de líder do Grupo Espírito Santo, fez uma visita relâmpago na quarta-feira a Luanda com o objectivo de obter um empréstimo de 2,5 biliões de euros para a reestruturação do Grupo Espírito Santo (GES), segundo re-velou no sábado o jornal  "Expresso".

 O banqueiro reuniu-se com altas figuras do regime angolano assim como alguns investidores para tentar o financiamento desejado, mas a resposta foi negativa.

 De acordo com o mesmo jornal, esta visita surgiu depois da resposta negativa por parte da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, em dar uma autorização para que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BCP liderassem o empréstimo de 2,5 biliões para a reestruturação do Grupo Espírito Santo (GES).

 Depois de tentar a sua sorte com Maria Luís Albuquerque, o empresário foi ter com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para pedir que autorizasse que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BCP liderassem o empréstimo. A resposta também foi negativa.

 Segundo o Expresso, após as duas negas do Governo, Ricardo Salgado foi a Luanda pedir ajuda. Mas, em vão.

 

* BES envia ao Banco de Portugal plano para salvar grupo

 

 Um documento a que o jornal i teve acesso explica como o grupo BES se vai distanciar da área não financeira. A estratégia já vai ser implementada pelo novo CEO.

 O conselho de administração do BES aprovou na sexta-feira uma carta com as linhas mestras do plano para salvar o grupo BES. Uma estratégia que, a partir da assembleia geral de 31 de Julho, será já implementada pela nova administração, encabeçada, ao que tudo indica, por Amílcar Morais Pires, actual CFO do banco.

 O documento dirigido ao vice-governador, Pedro Duarte Neves, é uma resposta às exigências do Banco de Portugal, que pediu uma prova documental do cumprimento das suas determinações, feitas em 2013, para assegurar que a exposição directa e indirecta do grupo BES à Espírito Santo Intenational e à ESR não trará problemas à área financeira.

 Entre as medidas está a proibição de concessão de novos financiamentos, directos ou indirectos, por parte de entidades do grupo BES a qualquer entidade do ramo não financeiro do GES.

 Também está proibida a comercialização de papel comercial ou outra dívida emitida por entidades do ramo não financeiro do Grupo Espírito Santo a todos os clientes de retalho de qualquer entidade do grupo BES (o que abrange colocação, intermediação, aprovação e consultoria para investimento).

 Sobre esta matéria, o BES esclarece que a "dívida emitida pela ESI e pela Rioforte nos clientes de retalho passou de 1565 milhões de euros e 479 milhões de euros em Dezembro de 2013 para, respectivamente, 283 milhões e 375 milhões no final de Maio deste ano".

 Mas nem todas as exigências do BdP serão possíveis de cumprir. O Banco de Portugal pediu a aceleração do reembolso dos títulos de dívida emitidos por entidades do ramo não financeiro do GES colocados em clientes do grupo BES para conclusão em Setembro.

 O BES responde que "a ESI diz não existir previsão de disponibilidade financeira para poder antecipar mais reembolsos" e levanta a questão da equidade. Ou seja, o facto de parte dos clientes não poder beneficiar de tratamento equivalente, uma vez que uma boa parte dos reembolsos termina em Outubro e Novembro (cerca de 427 milhões de euros).

 O BdP pede ainda ao BES para rever os termos da garantia de 400 milhões de euros da ESFG a favor do banco para mitigar o risco e a constituição de uma conta onde seja depositado o produto da venda da seguradora Tranquilidade para usar como reembolso de exposição dos clientes de retalho em caso de incumprimento da ESI.

 Diz o BES que a ESFG "está a diligenciar no sentido da contratação de uma sociedade de advogados […] para analisar a validade e eficácia da garantia […] incluindo a vinculação do produto de venda da Tranquilidade, o que deverá acontecer a muito curto prazo".

 Na carta, o BES avança ainda que "até Setembro está previsto o reembolso de 150 milhões de euros de papel comercial emitido pela ESI e pela Rioforte e colocado na rede clientes de retalho do BES, a concretização da operação de alienação da participação na ES Saúde, que permitirá liquidar o recente ‘bridge loan’ de 135 milhões de euros concedido pelo BES à Rioforte", bem como a exposição de mercado monetário à ESFG colaterizada pelo penhor de acções representativas de 3,4% da Espírito Santo Saúde e mais 17,74% da ES Health Care Investments (que detém 51% da ES Saúde) no valor de 48 milhões de euros, e ainda "fazer excluir a ES Saúde do grupo GES (responsável por uma exposição de 20 milhões de euros)".

 O BES está a estudar a hipó-tese de transferir para o BES Angola os activos de risco registados em outras unidades do grupo GES (a submeter ao BdP), "aproveitando o excesso de capital da filial do BES em Angola". O banco estima o "desaproveitamento de capital em "300 milhões de euros". BESA e BNA estão a analisar as propostas.

 A assembleia geral do BES está marcada para dia 31 de Julho, com o objectivo de alterar os estatutos e criar um novo órgão estatutário, o conselho estratégico, destinado a assistir o conselho de administração.