Banco de Desenvolvimento dos BRICS quer reforçar assistência financeira ao sector privado

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 O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado pelo grupo BRICS das principais economias emergentes, quer que a concessão de empréstimos ao sector privado venha a representar eventualmente 30% da sua carteira de projectos, adiantou em Shnaghai, uma fonte sénior desta entidade financeira.

 Zhu Xian, CEO do NDB, disse à Reuters, que o objectivo do banco é atingir um rácio de 70-30 entre empréstimos soberanos e não-soberanos, tendo indicado que existe actualmente uma enorme procura por empréstimos do sector privado, nomeadamente no Brasil, África do Sul e Rússia.

 O NDB, com sede em Shanghai, China, anunciou na passada segunda-feira a aprovação de seis novos projectos, incrementando deste modo para mais de 5.1 biliões de dólares americanos o valor em carteira num total de 21 projectos.

 Acrescentou que destes financiamentos, apenas dois são empréstimos não-soberanos, que foram concedidos sem garantias governamentais a empresas.

 “Na Índia e na China, a procura por financiamentos soberanos é enorme. Mas em outros países a preferência vai para os não-soberanos por razões diferentes”, afirmou Zhu Xian.

 “Em alguns países, as dificuldades fiscais permanecem. Em segundo lugar, a sustentabilidade da dívida é motivo de preocupação. Evitam endividar-se em demasiado em termos soberanos e por isso preferem realizar transacções de mercado”, afirmou.

 Zhu Xian revelou que o pri-meiro projecto de financiamento não-soberano atribuído pelo NDB foi um empréstimo de 200 milhões de dólares que o banco concedeu à estatal brasileira Petrobrás, para um programa de protecção ambiental e que o segundo foi um empréstimo de 200 milhões de dólares à estatal sul-africana, Transnet, para reconstruir um porto na cidade litoral de Durban.

  O gestor afirmou que existe uma oportunidade de mercado para o NDB, uma vez que o banco está disposto a conceder empréstimos a um horizonte de pelo menos 10 anos.

 O Novo Banco de Desenvolvimento é tido como o primeiro resultado práctico do grupo de países BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que se uniram em 2009 na tentativa de fazer face à ordem financeira global criada pelas principais potenciais ocidentais após a Segunda Guerra Mundial.