Baião tenta salvar maior carvalhal da Península Ibérica

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Baião tenta salvar maior carvalhal da Península Ibérica

Salvar e estudar a maior mancha de carvalho alvarinho da Península Ibérica, situada em Baião, juntou três entidades, que criaram um centro de interpretação ambiental.

 Uma escola, uma autarquia e uma associação ambientalista, parceiras no projecto, disseram à Lusa que estão reunidas agora as condições para concertar medidas de preservação e divulgação do carvalhal da Reixela, como é designado.

 “É um ecossistema muito importante para Baião e até para o país, mas tem de ser preservado, acima de qualquer divulgação”, disse à Lusa Dora Pinto, presidente da Ecosimbioses, Associação Ambiental de Baião.

 A ambientalista sublinhou que aquela mancha florestal, com cerca de 15 hectares, a cerca de quatro quilómetros da sede do concelho, é “o último carvalhal autóctone do país”.

 A floresta, frisou ainda, agrega uma biodiversidade “muito rica” e “um grande potencial pedagógico e didáctico para a formação dos jovens”.

 Apesar disso, para Dora Pinto, “tem de haver equilíbrio entre a dinamização e a preservação do espaço, que é muito frágil, na fauna e na flora, e pela importância na fertilização dos solos e reprodução das espécies”.

 O Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil também integra a parceria, explicando o seu docente Rui Mendes que “a ideia de criar um centro de interpretação surgiu há três anos, no estabelecimento”.

 Para o carvalhal estão previstos vários projectos, incluindo acordos com universidades e projectos internacionais na área da investigação.

 “Estamos a estabelecer parcerias que vão permitir o estudo mais aprofundado da fauna e da flora”, avançou à Lusa o docente.

 O estabelecimento de ensino preparou programas específicos para a utilização do carvalhal, em termos pedagógicos. Na escola vai ser leccionada uma disciplina específica em que os alunos terão “laboratórios vivos”.

 “Vamos ter aulas práticas que vão decorrer no carvalhal e levar os alunos do secundário a participar em laboratórios vivos”, explicou.

 Também para os alunos do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo estão programadas actividades lúdicas e trabalhos práticos.

 O Centro de Interpretação Ambiental da Reixela também se propõe envolver os proprietários dos terrenos.

 “Cerca de 85% do carvalhal pertence a duas irmãs. Têm uma paixão incrível pelo carvalhal, e ficaram deliciadas quando lhes foi proposto um protocolo que visava a preservação daquele espaço”, contou Rui Mendes.