Azambuja lamenta perda da opel há 10 anos

0
137
Azambuja lamenta perda da opel há 10 anos

O encerramento da fábrica da Opel de Azambuja, em 2006, deixou no desemprego mais de 1.100 trabalhadores e modificou a vida social e económica deste concelho ribatejano que, uma década depois, ainda lamenta a perda da unidade fabril.

  Considerada a segunda maior fábrica de automóveis em Portugal, a Opel de Azambuja – pertencente à multinacional General Motors – fechou as suas portas a 21 de dezembro de 2006, depois de 42 anos de laboração.

  Os responsáveis pela fábrica de Azambuja justificaram o encerramento desta unidade com o facto de a produção de cada modelo Combo ficar mais cara em 500 euros face à da unidade espanhola de Saragoça. O fecho desta unidade fabril deixou no desemprego mais de 1.100 trabalhadores, dos quais 233 eram residentes no concelho de Azambuja.

  "Creio que existiram exageros por parte dos sindicatos, que não foram flexíveis. A imagem que passava era de um constante braço de ferro entre os trabalhadores e a administração", afirma um antigo trabalhador, que considera ter sido a postura do sindicato a acelerar o processo de encerramento.

  Uma década depois do encerramento da fábrica da Opel os efeitos "ainda são bastante visíveis", pelo menos esse é o entendimento do presidente da Associação do Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA), Daniel Claro.

  "Era a única âncora de desenvolvimento, atracção e afirmação do concelho. Actualmente é um concelho ligado à logística, mas estamos a falar de uma mão-de-obra flutuante e mal paga. Hoje muita gente passa na Azambuja, mas pouca gente cá vem. É um concelho economicamente desertificado", resume.

  Por seu turno, o atual presidente da Câmara Municipal, Luís de Sousa, refere que em termos sociais a autarquia já não nota tanto os efeitos do fecho da Opel, mas alerta que é um processo que está longe de estar concluído.

  "O Estado está a dever à Câmara da Azambuja 950 mil euros. Andamos há muitos anos à espera e por isso iremos interpor uma acção judicial", afirma.

  Em 2008, a GMP pagou uma indemnização de 17,7 milhões de euros ao Estado português como compensação pelo encerramento da fábrica da Opel de Azambuja, uma vez que não cumpriu o contrato que tinha estabelecido de se manter em Portugal por mais tempo.

  No entanto, dessa verba que o Estado recebeu da GMP ficou estabelecido que 908 mil euros seriam transferidos para as contas da autarquia, montante referente à isenção de impostos municipais de que a Opel beneficiou entre 1996 e 2006, nomeadamente com a derrama. "É uma verba que faz muita falta ao município. Podíamos ter empregado esse dinheiro na Educação ou na reparação das estradas, por exemplo, e não ter sofrido tantas dificuldades financeiras", observa.

 

* Utilizadores de cadeiras de rodas impedem autocarro da Carris de seguir percurso

 

   Sete utentes da transportadora urbana Carris de Lisboa, utilizadores de cadeiras de rodas, impediram um autocarro da carreira n.º 736, com destino a Odivelas, de prosseguir o percurso, por ter a rampa de acesso avariada.

  A carreira n.º 736 liga o Cais do Sodré a Odivelas e o protesto realizou-se no Campo Pequeno.

  O protesto visou sensibilizar a Carris para as constantes avarias das rampas dos autocarros e para as dificuldades de mobi-lidade que enfrentam os utilizadores de cadeiras rodas.