Autoridades portuguesas recebem 1.800 queixas por ano por suspeitas de corrupção

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Autoridades portuguesas recebem 1.800 queixas por ano por suspeitas de corrupção

A Procuradora-Geral Adjunta portuguesa Cândida Almeida afirmou haver razões para se estar “optimista” nos resultados do combate à lavagem de dinheiro em Portugal, face à média de 1.800 denúncias/ ano feitas pelas entidades competentes.

 Em declarações à agência Lusa na Cidade da Praia, onde participou como oradora num ciclo de conferências organizado pela Procuradoria-Geral da República de Cabo Verde, a Procuradora Cândida Almeida sublinhou que os resultados, ainda “longe de serem esmagadores”, “começam a aparecer” e “são encorajadores”.
 “Neste momento, (a luta contra a lavagem de capitais) vejo-a com uma melhoria cada vez mais sentida. Esta luta é relativamente recente. A lei é de 2004 e está sempre a ser actualizada, mas é uma luta relativamente recente”, afirmou a também responsável pela Direcção Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

* A partir do 25 de abril o crime ficou sem fronteiras

 No seu entender, em termos de história das instituições, a criminalidade económica e financeira em Portugal é relativamente recente, porque, antes do 25 de abril de 1974, Portugal era um “país rural, com uma criminalidade rural – o homicídio, o roubo”.
 “Só depois, com a abertura das fronteiras, houve todas as vantagens de um país integrado no mundo, mas também a desvantagem de o crime ficar sem fronteiras. E é a partir daí que nos temos de preparar. Daí que a formação, a todos os níveis, seja muito importante”, defendeu.
 Segundo Cândida Almeida, neste contexto de evolução, a tendência é para a obtenção de um número de êxitos “cada vez maior”.
 “Não há ainda uma quantidade esmagadora, mas temos tido êxitos. É uma luta muito complicada em qualquer parte do mundo, demora a produzir os seus efeitos e não pode ser exigida a celeridade. É um trabalho de formiguinha, de acompanhamento e de investigação e a investigação tem altos e baixos, mas não se pode desistir”, sustentou.
 Lembrando que a sofistica-ção do crime organizado é grande e que os lucros são “fabulosos e amorais”, Cândida Almeida salientou a “vontade e empenho”, quer do DCIAP, quer da Unidade de Informação Financeira (UIF) -, que abrange entidades financeiras não financeiras -, em combater a lavagem de capitais.