Autoridades angolanas suspendem actividades da IURD por 60 dias

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Autoridades angolanas suspendem actividades da IURD por 60 dias

As autoridades angolanas suspenderam as actividades da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e interditaram os cultos e demais actividades de outras seis igrejas evangélicas, não legalizadas, segundo um comunicado.

 A suspensão das actividades da IURD é uma das conclu-sões da Comissão de Inquérito nomeada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, na sequência da morte de 16 pessoas, por asfixia e esmagamento, no passado dia 31 de Dezembro, na capital angolana.

 O culto, denominado “Vigília do Dia do Fim”, concentrou dezenas de milhares de pessoas que ultrapassaram, em muito, a lotação autorizada do Estádio da Cidadela.

 No comunicado, anuncia-se ainda que a Procuradoria Ge-ral da República vai “aprofundar as investigações e a consequente responsabilização civil e criminal”.

 A Comissão de Inquérito (CI) concluiu ainda que as mortes se deveram à superlotação no interior e exterior do Estádio da Cidadela, causada por “pu-blicidade enganosa”.

 Dias antes da cerimónia, a IURD espalhou profusamente, por Luanda, publicidade ao evento, que designou de “Dia do Fim”, na qual convidava todos a “dar um fim a todos os problemas”, designadamente “doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja, problemas na família, separação, dívidas”.

 Para a CI esta publicidade criou, no seio dos fiéis, “uma enorme expectativa de verem resolvidos os seus problemas” e, socorrendo-se da legislação em vigor, classifica a difusão do evento como “criminosa e enganosa”.

 Outra acusação que a CI dirige à IURD é a de esta igreja não ter suspendido a cerimónia, mesmo depois de ter tido conhecimento da existência de vítimas mortais.

 Quanto à interdição de cultos e a outras actividades de seis igrejas evangélicas, a CI decidiu esta medida por aquelas confissões não estarem legalizadas e, mesmo assim, lê-se no documento, “realizam cultos religiosos e publicidade, recorrendo às mesmas práticas que as da IURD”.

 As seis confissões proibidas de levarem a cabo qualquer tipo de atividade são as Igrejas Mundial do Poder de Deus, Mundial do Reino de Deus, Mundial Internacional, Mundial da Promessa de Deus, Mundial Renovada e Igreja Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém.

 O comunicado termina com as autoridades a apelarem aos fiéis das igrejas visadas e a toda a população em geral, para que se mantenham “serenos”, e a cumprirem “cabalmente as decisões tomadas”.

 A Comissão de Inquérito,

criada a 2 de Janeiro pelo Presidente José Eduardo dos Santos, foi coordenada pelo ministro do Interior, Ângelo Tavares, coadjuvado pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, e integrou os ministros da Administração do Território, Bornito de Sousa, da Justiça, Rui Mangueira, da Saúde, José Van-Dúnem, e da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, e o governador da província de Luanda, Bento Bento.