Ataques: MNE português chega a Maputo para encontros sobre apoio da UE

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  O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal chegou na terça-feira a Maputo em representação da União Europeia (UE) para contactos políticos com as autoridades moçambicanas sobre o apoio da UE face à violência em Cabo Delgado.

  “Todos os momentos são oportunos para vir a Moçambique, um país fantástico, mas é evidente que esta missão política devia realizar-se o mais rápido possível”, referiu Augusto Santos Silva à Lusa, após aterrar no aeroporto de Maputo, pouco depois das 22:00 (20:00 em Lisboa).

  “Foi possível realizá-la agora e, portanto, há que aproveitar todos os momentos para recolher o máximo de informação e também para recolher todas as impressões, perspectivas, propostas, sugestões que é preciso ponderar para que o apoio seja efetivo e também se realize o mais brevemente possível”, detalhou.

  A deslocação surge na sequência do pedido de reforço da cooperação que Moçambique dirigiu à UE em setembro de 2020, relativo à situação de segurança em Cabo Delgado.

  Na quarta-feira, a agenda de Augusto Santos Silva arrancou com um encontro com a homóloga Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, tendo mais tarde sido recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

  Outras reuniões foram agendadas para quarta e quinta-feira.

  “Tenho um conjunto de contactos a diferentes níveis para, justamente, poder reportar no meu regresso à Europa a perspectiva das autoridades moçambicanas”, acrescentou.

  Santos Silva agradeceu o acordo das autoridades moçambicanas para a realização dos encontros, que acontecem no semestre em que Portugal assume a presidência rotativa do Conselho da UE.

  O MNE português exprimiu ainda solidariedade para com o país face à gravidade dos problemas de segurança em Cabo Delgado.

  A violência armada na província nortenha de Moçambique, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

  Em resposta a questões da agência Lusa sobre a missão, um porta-voz comunitário afirmou, na segunda-feira, que a UE está pronta “a apoiar o Governo de Moçambique”.

  “Iremos discutir as opções concretas nos próximos diálogos políticos, bem como em reuniões técnicas”, disse.

  As reuniões técnicas arrancaram terça-feira, através de teleconferência via Internet, entre os diferentes serviços da UE e autoridades moçambicanas, nomeadamente as ligadas aos ministérios do Interior e da Defesa.

  “Estamos naturalmente prontos a trabalhar de perto com os nossos parceiros africanos, e em particular com a SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral], a fim de assegurar uma abordagem coerente e coordenada”, acrescentou a mesma fonte.

  O alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, que Santos Silva representava na visita a Moçambique, apontou à agência Lusa o treino e equipamento militar, a ajuda humanitária às populações deslocadas e, eventualmente, missões de vigilância costeira como possíveis áreas de cooperação.