Assunção Esteves é a primeira mulher a assumir a presidência do Parlamento português

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Assunção Esteves

Assunção Esteves A deputada do PSD Assunção Esteves tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia da República, sucedendo no cargo ao socialista Jaime Gama e depois de falhada a eleição de Fernando Nobre.

 A deputada do PSD Assunção Esteves foi eleita presidente da Assembleia da República, com 186 votos favoráveis.
 Assunção Esteves, de 54 anos, foi a primeira mulher a desempenhar o cargo de juíza no Tribunal Constitucional, onde esteve entre 1989 e 1998, e também a única eurodeputada eleita para o Parlamento Europeu nas eleições de 2004, pela lista de coligação Força Portugal (PSD/CDS-PP).

 Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, onde também fez um mestrado em ciências jurídico-políticas, Assunção Esteves foi eleita deputada pelo círculo de Vila Real, em 1987, na primeira maioria absoluta liderada por Cavaco Silva.

 Entre 1989 e 1998, Maria Assunção Andrade Esteves, nascida em Valpaços a 15 de Outubro de 1956, foi juíza do Tribunal Constitucional, escolhida pela Assembleia da Re-pública.
 Em 2002, voltou ao Parlamento, durante a vigência do governo liderado por Durão Barroso, tendo assumido nessa legislatura a presidência da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
 Em 2004, deixou as funções de deputada para assumir as de eurodeputada, que manteve até 2009.

 No PSD, integrou o conselho de jurisdição nacional (1998-1999), foi membro da comissão política nacional (1999-200) e vice-presidente (2006-2007), durante a liderança de Marques Mendes.
 Assunção Esteves foi uma das apoiantes de Pedro Passos Coelho quando o actual primeiro-ministro se candidatou pela primeira vez à lide-rança do PSD, nas quais foi derrotado por Manuela Ferrei-ra Leite.

 Em Março de 2010, quando o novo primeiro-ministro venceu as eleições para a presidência do partido, considerou que a sua vitória seria o ponto de partida «para um novo tempo político» e dirigiu-se a Passos Coelho como «depositário de uma imensa esperança dos militantes».
 Nas últimas legislativas foi eleita pelo círculo de Lisboa, tendo ocupado o sexto lugar na lista de candidatos laranja.

 Assunção Esteves, que preside à mesa da Assembleia distrital do PSD de Lisboa, tem publicados vários trabalhos técnicos relacionados com a sua área de formação académica e o livro "A Constitucionalidade do Direito à Resistência". É assistente de direito público na faculdade de Direito de Lisboa.
O nome de Assunção Esteves, que se tornará na segunda figura do Estado, foi proposto pelo PSD depois de o independente Fernando Nobre, eleito nas listas do PSD, ter falhado por duas vezes a eleição (não obtendo os necessários 116 votos favoráveis) na primeira sessão plenária, que decorreu segunda-feira.

* Assunção Esteves eleita à primeira presidente da AR com mais de 80% dos votos

 Assunção Esteves foi eleita à primeira volta, com 186 votos a favor, 41 brancos e dois contra. A antiga juíza do Tribunal Constitucional é a primeira mulher a ser eleita presidente da Assembleia da República e conseguiu 81% dos votos  dos deputados.
 Aplaudida de pé por todas as bancadas, declarou, à entrada do hemiciclo para ouvir o anúncio da sua eleição, estar «muito satisfeita, foi um óptimo resultado».

 «Presidir ao Parlamento constitui a maior honra da minha vida» disse na sua primeira intervenção já como segunda figura do Estado.
 Parlamento que «é a liberdade que se fez instituição» e que se «constrói sobre o discurso dos direitos evidenciado pelo voto universal», considerou a mulher que em legislaturas anteriores presidiu à co-missão parlamentar de direitos, liberdades e garantias.
 «Que orgulho e que responsabilidade é estarmos aqui» disse também à Assembleia. «Somos nós o cais da esperança que um domingo de Junho saiu de casa para nos eleger», mas também «a esperança dos que contam connosco para se reconciliar com a política» e ainda a «esperança dos mais fracos» que nem conseguem ir votar.

 «Ou decidimos melhorar o mundo ou teremos de perguntar como se dorme o nosso sono» desafiou ainda a presidente do Parlamento, afirmando que «os lugares são definidos pelas pessoas e não as pessoas pelos lugares».
 «Dedico este momento a todas as mulheres» foi uma das suas palavras finais, especialmente «às mulheres anónimas e oprimidas». E voltou a ser aplaudida de pé por todos os quadrantes.

* Mário Soares diz que candidatura de Nobre “não fazia sentido”

 Mário Soares considerou que a candidatura de Fernando Nobre à presidência da Assembleia da República (AR) “não fazia sentido” e manifestou-se “muito satisfeito” com a eleição de Assunção Esteves para o cargo.
 “Tenho estima por ele [Fernando Nobre], mas achei que realmente aquilo não fazia sentido, como realmente não fez”, afirmou o antigo Presidente da República.

 Disse que ficou “espantado” com o facto de o nome de Fernando Nobre ter sido proposto para um cargo “que é logo o segundo do Estado” antes das eleições e, portanto, de se conhecer o partido vencedor.
 Em contrapartida, manifestou-se muito satisfeito com a eleição de Assunção Esteves para o cargo, classificando-a como “uma mulher extraordinária” e “muito grande constitucionalista”.
 “É estimada por todos e foi aplaudida por toda a Assembleia da República, o que é qualquer coisa de grande, além de ser a primeira mulher que vai ser presidente da AR”, referiu.

 Mário Soares falava em Arcos de Valdevez, no final da segunda edição do “Concelho de estado”, uma iniciativa que este ano prestou homenagem a Mikhail Gorbachov.
 Os conferencistas lançaram ao rio Vez barcos de papel com uma mensagem dando conta do que desejam para o futuro do mundo.
 “Paz no mundo para todos e não só para os homens de boa vontade” foi a mensagem de Mário Soares, que se referiu a Gorbachov como um homem “absolutamente extraordinário, que conseguiu mudar o mundo”.

 Para o PS, o fundador do partido voltou a aconselhar que faça “de alguma maneira uma certa refundação, porque o mundo está a mudar e o PS não pode ficar sempre na mesma”.
 Escusou-se, no entanto, a dizer se prefere ver António José Seguro ou Francisco Assis na liderança do partido.
 “Sou amigos de ambos, são excelentes candidatos. É como dizer este filho é melhor que aquele, não pode ser”, re-feriu.