Associação das Universidades de Língua Portuguesa quer Erasmus lusófono

0
165
Associação das Universidades de Língua Portuguesa

Associação das Universidades de Língua  PortuguesaA associação das Universidades de Língua Portuguesa elegeu novo presidente, Jorge Ferrão, reitor da Universidade Lúrio, de Moçambique, que vai apostar o mandato na mobilidade de estudantes e num novo ‘erasmus’ lusófono à medida dos recursos.

 O reitor da Universidade Lúrio é pragmático, a sua primeira ideia para o mandato de três anos à frente da associação é concretizar tudo o que sempre se falou e não passou do papel: “O fundamental seria retomarmos todas aquelas declarações que fizémos anteriormente e que nunca foram implementadas, tentar extrair o importante e implementar”.

 A aposta vai ser a mobilidade, mas não só de estudantes e docente  Jorge Ferrão fala de todo o corpo universitário.
 Está consciente da dificuldade dos recursos financeiros necessários, mas afirma que está tudo alinhavado: “Já sabemos quantos alunos queremos movimentar, através do projeto Ciência Global, apresentado por Portugal, e através de outro programa brasileiro, e inclusivamente pela mobilidade que já existe em África, mas que muitas vezes não é referenciada”.

 Vai ser sempre precisa a ajuda dos governos, o que não vai ser fácil, já que os “governos de Moçambique e Portugal passam por situação de crise”.
 Quanto à ajuda de outras instituições, diz saber que as portas estão sempre fechadas, porque a prioridade é sempre o ensino primário, mas também aí há um trabalho a fazer, nomeadamente explicar que o mundo mudou: “É preciso mostrar que houve uma mudança paradigmática, já temos uma base boa no primário em quase todos os países, estamos a cumprir os objetivos do Milénio, agora o problema está no ensino se-cundário e no superior”.

 Fazendo um balanço deste XXI Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, o reitor moçambicano não hesita a apontar as falhas: Tivémos um encontro muito produtivo pela forma como soubemos solucionar os temas para debate, mas faltou um bocadinho mais de tempo, os temas são actuais, são pertinentes mas não podem ser discutidos de ânimo leve como foram, com minutos contados”.
 Em futuros encontros este aspecto será corrigido, “menos apresentações e mais tempo para debater”, para não voltar a acontecer o que aconteceu: “Experiências válidas que acabaram não sendo discutidas porque não houve tempo”.

 Outra ideia que tem no âm-bito da mobilidade é a criação de uma espécie de ‘erasmus’ lusófono, adaptado à realidade dos seus países, ou se-ja, com menos recursos.
 “Vamos fazer um ‘erasmus’ lusófono, que não precisa ser como o europeu, que precisa fixar os alunos seis meses, podemos fazer isso em condições diferentes e ter resultados bem melhores. Temos de meter as instituições a fazer um pequeno investimento. Se uma instituição paga uma passagem aérea, a outra tem de receber, alimentar, se não pode ficar em hotel pode ficar em casa de famílias”, explicou o reitor da Universidade Lúrio.

 E para provar que não está a falar de uma ideia no ar, exemplifica com um acordo já feito, de um mestrado no Brasil, em que todos os alunos vão fazer um semestre em Moçambique. “Eu não tenho um hotel de 5 estrelas para os receber em Moçambique, vão morar na casa das famílias, é a solução”.