As Câmaras de Comércio e a Diplomacia Económica

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As Câmaras de Comércio e a Diplomacia Económica

O deputado à Àssembleia da República Portuguesa, Carlos Páscoa, enviou ao “Século de Joanesburgo”, com pedido de publicação, a seguinte reflexão sobre “As Câmaras de Comércio e a Diplomacia Económica”:

As Câmaras de Comércio espalhadas pelo mundo são um património inestimável que Portugal tem teimosamente deixado ao abandono.
  Desde que assumi as funções de Deputado, tenho chamado à atenção para o potencial destas Câmaras numa lógica de apoiar a diplomacia económica.
  Nunca consegui perceber o abandono a que os últimos governos relegaram as Câmaras de Comércio, agindo como se não existissem, dispensando o seu enorme potencial.

  As Câmaras são formadas por empresários, na sua maioria portugueses, com forte ligação aos seus países de acolhimento e empresários locais que se unem em Associações e Clubes de Empresários, que têm como objetivo promover negócios entre Portugal e os países onde estão instaladas.
  Pela sua composição, já se pode perceber o amplo conhecimento do mercado onde existem e se puderem ser integradas numa rede onde se somem aos postos do Aicep, às Embaixadas e aos Consulados, obviamente terão uma participação fundamental na potencialização de negócios.
  As Câmaras de Comércio pela diversidade de associados, acumulam uma experiência que só por grande ignorância pode ser esquecida, são isso sim, um poderoso instrumento de atração de investimentos, de promoção de exportações, de aproximação de empresários com vistas a novos empreendimentos e com a vantagem adicional de não terem qualquer custo para o Governo de Portugal.

  Para se ter uma modesta visão do potencial de negócios que essas Câmaras podem proporcionar, basta olharmos para o exemplo do Brasil onde temos 13 Câmaras de Comércio espalhadas de norte a sul, pelos principais centros de negócios, enquanto que, em termos de estruturas oficiais, temos uma Embaixada sediada em Brasília (fora dos grandes centros de negócios) e uma Delegação do Aicep em São Paulo, normalmente com pouco conhecimento do mercado brasileiro como um todo. Considerando-se o ta-manho do país e as elevadas distâncias entre os principais centros de negócios, entendemos rapidamente que uma Embaixada e uma Delegação do Aicep não podem atender à promoção de Portugal em todo o território brasileiro, nesse ponto, as Câmaras de Comércio podem e devem ajudar a preencher esse vazio e com vantagens.
  Eu costumo afirmar e com total convicção que se os empresários portugueses que se aventuraram em outros países tivessem procurado as Câmaras de Comércio, com certeza, as taxas de insucesso em seus investimentos seriam infinitamente menores.

  Neste momento, tenho esperança de que se tenha finalmente compreendido a importância de se integrarem as Câmaras de Comércio numa rede de Diplomacia Eco-nómica.
  Tenho a expectativa muito positiva de que a nova visão do Governo de Portugal em relação ao comércio internacional, tenha evoluído para um novo patamar onde finalmente possamos ter trabalhando integradas as Câmaras de Comércio, os Clubes de Empresários, o Aicep, os Consulados e as Embaixadas.
  No momento em que isso começar a existir na prática, teremos de imediato o resultado visível através do aumento de negócios internacionais e através do aumento na atração de novos investimentos.
  Espero sinceramente que a minha batalha nos últimos anos pela integração das Câmaras de Comércio na Diplo-macia Económica, finalmente se concretize com todos os benefícios que isso trará para o nosso país, para as empresas portuguesas e para os empresários tanto de Por-tugal quanto da diáspora.
CARLOS PÁSCOA
DEPUTADO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA