Artista plástico José de Guimarães, o primeiro ocidental a expor num museu do leste da China

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Artista plástico José de Guimarães, o primeiro ocidental a expor num museu do leste da China

O artista plástico português José de Guimarães tornou-se o primeiro ocidental a expor no novo museu da histórica cidade de Suzhou, leste da China, confirmando a sua afinidade com a Ásia Oriental.

 Trata-se também da terceira exposição de José de Guimarães na China continental em apenas uma década, com cerca de 80 obras, incluindo pinturas, instalações e maquetas das suas esculturas públicas.
 “Sinto uma certa afinidade com esta região, que tem uma cultura muito antiga, e penso que, num futuro próximo, a arte ocidental pode ter na China uma zona de implantação muito forte”, disse o artista.
 A exposição, intitulada “Metropolis – Cities and Citizens” (Metrópolis – Cidades e Cidadãos), está patente até 21 de Novembro no novo Suzhou Jinji Lake Art Museum, aberto na primavera passada.
 “É uma grande exposição de arte portuguesa contemporânea”, salientou o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares, que foi convidado para a inauguração.
 Parte das obras expostas, entre as quais “pinturas de grande formato” (quatro por dois metros de comprimento), já foram apresentadas nas instalações do Parlamento Europeu em Bruxelas, mas o conjunto é inédito em Portugal.
 José Guimarães, 73 anos, formado em engenharia, iniciou a carreira na década de 1960.
 É um dos mais viajados artistas portugueses contemporâneos, com obras espalhadas por museus de 15 países, e há cinco anos fez também uma grande exposição em Pequim, no Today Art Museum.
 O Shuzou Jinji Lake Art Museu descreve a obra de Guimarães como “uma magnificente osmose entre culturas” e diz que o artista segue “um método semelhante ao de um antropólogo, através do qual mergulha em diversas civilizações”.
 José de Guimarães concorda que o seu trabalho tem “um certo paralelismo com a pes-quisa antropológica”, mas prefere identificar-se como “nómada transcultural”: “A minha obra é a de um artista nómada, que caminha ao longo da História e da Geografia”, diz.
 “É quase como perseguir os caminhos dos antigos nave-gadores portugueses”, acrescenta.
 Situada na margem de um grande lago (Taihu), Suzhou era conhecida outrora como “a Veneza da China” e os seus “clássicos jardins” fazem hoje parte da lista de património mundial da UNESCO.