Arranca em Macau um novo ciclo de cooperação entre a China e sete países de língua portuguesa

0
27
Arranca em Macau um novo ciclo de cooperação entre a China e sete países de língua portuguesa

Governantes da China e de sete países de língua portuguesa, entre os quais um primeiro-ministro, um vice-presidente e três vice-primeiros-ministros, reúnem-se esta semana em Macau para dinamizar as relações económicas e iniciar “um novo ciclo” de cooperação.

 “Novo ciclo, novas oportunidades” é também o lema da IV reunião ministerial do Forum para a Cooperação Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa, que decorrerá na terça e quarta-feira naquela Região Administrativa Especial chinesa.

 “Temos de sair de uma perspectiva retalhista”, disse à agência Lusa o embaixador de Moçambique na China, António Inácio Júnior, decano dos diplomatas lusófonos residentes em Pequim.

 Inácio Júnior está colocado em Pequim desde 2003, o ano da criação do Forum de Cooperação Económica e Comercial China-PLP (países de língua portuguesa), sedeado em Macau

 O comércio entre a China e os PLP, entretanto, aumentou mais de dez vezes, somando 128.500 milhões de dólares em 2012, mas segundo o embaixador moçambicano, “isso resulta mais das relações bilaterais do que de uma acção directa do Forum”.

 Apesar do “esforço do governo” local, “falta agressividade às associações empresarias (de Macau) para aproveitar a 100% o potencial existente nos nossos países, nomeadamente quanto aos recursos naturais”, disse Inácio Júnior.

 O embaixador de Cabo Verde na China, Júlio Morais, mostra-se confiante nos resultados da próxima reunião ministerial: “Estão criadas as condições de base para poder relançar e reprojectar essa cooperação”.

 Júlio Morais referia-se ao Fundo de um bilião de dólares para apoiar projectos de investimento no espaço lusófono anunciado há três anos pelo governo chinês e que deverá começar agora a ser utilizado: “Abrem-se oportunidades enormes”.

 “O Forum Macau deve servir sobretudo os países africanos de língua portuguesa e Timor Leste. Macau pode efectivamente servir como uma plataforma de negócios, mas só cumprirá a sua vocação se atender às necessidades daqueles países”, defende o embaixador do Brasil em Pequim, Valdemar Carneiro Leão.

 Para o embaixador de Portugal na China, Jorge Torres-Pereira, “o Forum está no mesmo ciclo da liderança chinesa, que em princípio vai apresentar proximamente um programa de reformas, e esse sincronismo deve ser aproveitado”.

 Torres-Pereira espera um “maior dinamismo” do forum, salientando que, ao fim de dez anos, a “sua importância política está consolidada”.

 A “aposta” de Angola, um dos maiores fornecedores de petróleo à China, é promover “uma cooperação mais diversificada” e atrair as empresas privadas chinesas: “Queremos que o sector privado também possa desempenhar um papel importante no desenvolvimento do nosso país”, disse o embaixador angolano em Pequim, João Garcia Bires.

 “Há muito espaço e muitas oportunidades para aumentar a cooperação”, afirma a embaixadora de Timor-Leste, Vicky Tchong.

 O embaixador da Guiné Bissau, Malam Sambu, manifestou idêntico sentimento: “A nossa expectativa é muito grande”.

 A delegação guineense será a única chefiada pelo próprio primeiro-ministro, Rui Barros, e como Malam Sambu real-çou, a China é já “o parceiro número 1” do seu país.

 Portugal estará representado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e China e Timor-Leste vão enviar responsáveis da mesma categoria: Wang Yang e Fernando La Samo Araújo, respetivamente.

 A delegação do Brasil, o maior país lusófono e o quinto mais populoso do mundo, é chefiada pelo vice-presidente, Michel Temer