Arraial da Lusitolândia em nova localização no sul de Joanesburgo

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Arraial da Lusitolândia em nova localização no sul de Joanesburgo

Decorreu entre os dias 26 de Abril e 1 de Maio de 2017 o festival Lusitolândia, no novo terreno que é propriedade da escola do Lusito.

 Com quarenta e cinco hec-tares, localizado no número 25 da Cayman Road em Alewynspoort, Joanesburgo, o novo espaço fica localizado próximo do campo de golfe e zona residencial “Eye of Africa”.

 Com cabeças de cartaz anunciados como Kurt Darren, Steve Hofmeyr e os Mi Casa, para além de um espectáculo aéreo com aviões de acrobacias, a panóplia de restaurantes e cafés portugueses e as bancas comerciais que vendem desde roupa e assessórios a outros artigos variados. A juntar, à feira popular, com os vários atractivos de carrinhos de choque, roda gigante e arcadas de jogos.

 Serão necessários apurar ainda os números deste arraial, em termos de afluência de bilheteira e fundos angariados, que foi o primeiro a ter lugar fora do habitual local de Wemmerpan.

 O arraial foi aberto com uma singela cerimónia, com o embaixador de Portugal na África do Sul, António Ricoca Freire, o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo Francisco-Xavier de Meireles presentes na cerimónia.

 Na cerimónia esteve também a presidente do Conselho de Administração do Grupo Século, comendadora Paula Caetano e também presente esteve um dos fundadores em 1979 da escola do Lusito, o comendador José Valentim.

 Carlos Silva, o habitual mestre-de-cerimónias da Lusitolândia, abriu a noite ao dar as boas-vindas a todos os presentes. “Estamos num Lusito novo”, começou por dizer “e antes de mais, peço ao Padre Sergio Durigon que venha fazer-nos uma oração e abençoar o festival.”

 O pároco da igreja de St. Patrick’s de La Rochelle afirmou “que a Graça de Deus esteja com quem fez este festival, com quem doou, com quem trabalhou para o levar a efeito e claro, com quem está aqui para trabalhar ou em lazer”.

 “Eu estive aqui na terça-feira, fizemos um grupo de oração e eu disse que era fantástico ver o trabalho da mão de Deus, que guiou toda esta gente e este festival para o bem dos outros.” Acrescentou que “eu ainda afirmei que esta organização, este executivo do Lusito, está a escrever páginas da História da Co-munidade portuguesa neste país e deste país, graças à força do Espírito Santo e da vontade de cada um envolvido”.

 Foram rezadas três “Avé-Marias” e em seguida, o Padre Durigon impôs as suas mãos e pediu a Deus para abençoar e proteger todos os envolvidos na Lusitolândia 2017.

 Carlos Silva, após o momento de bênção, informou os presentes no seu habitual jeito cómico, que na sexta-feira santa esteve no local e que não viu quase nada feito, o que o levou a pensar “não vai haver Lusitolândia coisíssima nenhuma este ano. Mas, graças ao trabalho e dedicação, peço uma salva de palmas para o executivo e para o comité de organização do arraial”, ao que seguidamente passou a palavra ao presidente do Lusito, Demétrio de Sousa.

 Este, deu as boas-vindas a todos e agradeceu em parti-cular a presença do comendador Valentim, um dos fundadores da escola. Referiu o enorme esforço feito pelo executivo da escola em esco-lher o novo local, em organizar e levar a cabo o arraial, face a grandes dificuldades e muita negatividade em redor da escolha do novo local. “Mas, está aqui, está feito e a decorrer”, concluiu o presidente.

 Agradeceu a todos os patrocinadores, doadores e apoiantes quer da escola quer do arraial, em particular do donativo feito pela empresa Abeco Tanks, com a quantia de 420.000 randes.

 Logo em seguida, foi a vez de Sérgio Aquilo falar. Este, em Inglês, afirmou estar muito feliz de haver Lusitolândia 2017 e confessou aos presentes de que esteve quase para não haver festival. Devido à pressão de tempo e muitas incertezas que pairavam em torno do certame anual que é há mais de uma década, um dos pontos altos da cena festivaleira de Joanesburgo. Agradeceu ao município de Midvaal, pela cooperação e ajuda prestadas e a todos os presentes pelo esforço.

 Referente à autarquia do Midvaal, Aquino informou os presentes de que estava presente um acampamento de “ocupas” (squatters), dos quais alguns foram empregados pela Lusitolândia como seguranças no festival. Afirmou ainda que este primeiro ano, no novo local, faz parte da primeira etapa num plano de 15 anos, com vista a construir duas escolas, uma pri-mária e outra secundária, uma academia desportiva e um lar da Terceira Idade, a fim de para além da Lusitolândia, haver mais fontes de rendimento para a escola do Lusito e de uma forma mais consistente, não dependendo assim da afluência ao festival anual. Agradeceu, por fim, os donativos e ajuda prestados e desejou a todos que se divertissem e disfrutassem do arraial.

 A intervenção que se seguiu foi a do cônsul-geral, Francisco-Xavier de Meireles. O cônsul começou por declarar-se muito satisfeito e orgulhoso de estar presente na Lusitolândia, a sua primeira edição. “A Comunidade dá provas de uma generosidade muito grande, com as várias organizações e acções de bem-fazer, que são menos frequentes as viradas para fora. O Lusito tem esse mérito, o de ser virado para todos na África do Sul. É uma escola que começou por ser da Comunidade, mas que nesta altura, serve principalmente, utentes de fora. Gosto de sublinhar esse aspecto inclusivo. Quero aplaudir o tamanho do festival e a organização. Eu espero que tenham sucesso no vosso “master plan”. Gosto muito de pessoas ambiciosas e isso é visível aqui e no Lusito. Desejo o maior sucesso e as instituições do Estado português estão convosco, apoiam-vos e aplaudem o vosso trabalho e esforço em dar as melhores condições de ensino aos alunos com deficiências e incapacidades mentais e/ou motoras. A todos, parabéns”, rematou o cônsul-geral.

 Com uma banda de rock em palco, o volume de som interferia com os discursos e para encerrar a cerimónia oficial de abertura, foi pedido ao embaixador de Portugal para dirigir algumas palavras aos presentes.

 “Queridos amigos, boa noite a todos, vou tentar competir com a banda”, começou por afirmar o diplomata em jeito de brincadeira. “Queria apenas dizer o quão comovente é para mim estar aqui hoje. A minha vida diplomática está muito ligada à África do Sul, primeiro como cônsul-geral em 2003 e depois, mais tarde em 2012, quando cheguei aqui como embaixador de Portugal.”

 “Visitei o Lusito pela primeira vez em 2003, nessa altura ainda andava pela mão da Vera Nazareth, que me levava a conhecer os clubes, instituições e apresentou à Comunidade em geral. Uma delas e das primeiras, foi precisamente o Lusito e, como embaixador será provavelmente a última Lusitolândia que visitarei. Estou de partida e portanto, em 2018, já não estarei cá como embaixador. Fica, portanto, o meu apreço pela obra. Obra sul-africana, que nasceu e está registada na África do Sul. Feita e realizada por portugueses e essa alma está bem patente em todo o festival. Uma obra muito portuguesa, pela abertura, pela forma como cresceu com a força dos portugueses, para servir todos que mais necessitam.”

O embaixador acrescentou que “é também um sinal de que é uma obra querida por Deus e nisso, voltamos ao poema de Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” mas, uma obra tem que nascer várias vezes, porque como dizemos em Portugal parar é morrer! Renovada pelas gerações vindouras. E, essa renovação tem que também partir para a aventura. O facto de estarmos aqui na proporção de 45 hectares onde nasce uma nova forma de viver o Lusito. O espirito e ideal é o mesmo, mas a “cara” a “fachada” do festival é novo e só assim é que evolui.

 Quero dizer-vos que é com muita emoção que aqui estou, quero dar os meus parabéns ao conselho diligente do Lusito e a todos aqueles, na humildade do serviço e que com muitas tarefas contribuem para a obra crescer. Um abraço muito amigo”, concluiu o embaixador.

A cerimónia foi encerrada por Carlos Silva, que convidou os presentes a degustarem alguns petiscos portugueses e algumas bebidas.