Arquitectos do Porto querem recuperar ideiado palheiro em projecto nas Ilhas Faroé

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Arquitectos do Porto querem recuperar ideiado palheiro em projecto nas Ilhas Faroé

Um escritório de arquitectos do Porto, o Mass lab, foi anunciado como um de quatro finalistas de um concurso para a construção de um complexo habitacional nas Ilhas Faroé, propondo uma junção com a ideia portuguesa do palheiro.

 Duarte Fontes, um dos três sócios fundadores do Mass lab, afirmou que “a ideia pas-sa por um sistema construtivo com alguma semelhança com os palheiros do Norte do país”, indo ao encontro daquilo que são as tipologias habitacionais típicas da região nórdica.

 “O desafio era construir numa encosta íngreme reduzindo ao máximo a incisão no terreno”, explicou Duarte Fontes, sublinhando as dimensões da área envolvida, que ultrapassam os 45 mil metros quadrados.

 O Mass lab recebeu já 32 mil euros, viajando no próximo mês até às Ilhas Faroé para “ter ‘workshops’ com o júri, com gabinetes locais”, contactar com as populações, falar com consultores “no sentido de integrar e aprofundar a proposta, mas numa perspetiva de uma maior sensibilidade com o local e com os métodos construtivos”.

 “Os objectivos do concurso passam pela construção de um bairro residencial num terreno íngreme localizado na colina leste de Runavík e com vistas sobre o fiorde. Dada a extensão do terreno e os requisitos complexos de construção a proposta da Mass Lab passa por uma organização espacial que valoriza o espaço público reflectindo a ambição social do projecto”, pode ler-se no comunicado do grupo de arquitetos formados na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto que abriu o escritório há um ano.

 Segundo o mesmo documento, “a proposta consiste na ideia de que todos os pátios de acesso são ladeados por quatro casas e cada conjunto destes é rodeado por quatro jardins”.

 Duarte Fontes acrescentou que a proposta se trata de “uma série de ‘clusters’ de casas que, agregadas, formam um plano bastante complexo e, ao mesmo tempo, claro de organização das habitações”.

 “O desafio passava por tentar inserir um sentido de urbanidade e de densidade nestas ilhas. Ao mesmo tempo, a nossa ideia foi promover um sentido de cidade recuperando este sentido de alguma espontaneidade nos agrupamentos”, disse o arquitecto.