Apoiantes de Mugabe intensificam violência contra opositores e fazendeiros

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Robert Mugabe

Robert MugabeOrganizações de defesa dos direitos humanos afirmaram que se intensificaram nos últimos meses os ataques contra opositores do presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, e fazendeiros.

 O Zimbabwé Peace Project (ZPP), que há mais de uma década monitoriza a violência política no país, indica no relatório de Agosto que o número de incidentes registados tem aumentado desde do início do processo de consulta popular.
 O processo de consulta popular para elaboração e aprovação de uma nova lei fundamental, nomeadamente, tem sido marcado por agressões a apoiantes do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai), por impedimentos à participação de cidadãos de raça branca e cancelamento de reuniões públicas em várias cidades zimbabweanas.

 O ZPP apontou um dedo acusador à União Nacional Africana do Zimbabwé-Frente Pa-triótica (ZANU-PF), descrevendo o partido de Mugabe como o principal instigador e agente da violência “contra todos os que apresentam contribuições contrárias às ideias constitucionais da ZANU-PF”.
 O mesmo relatório salientou que nas zonas rurais os cidadãos são intimidados, verbal e fisicamente, pelos chefes tra-dicionais (aliados naturais de Mugabe, que lhes confere pri-vilégios em troco de lealdade política), registando vários incidentes verificados em escolas e outros locais, onde decorrem as reuniões públicas.
 “Durante uma reunião em Rattleshoek-Taganda Tea Estate, em Chipinguire Central, um apoiante do MDC (facção Tsvangirai) foi severamente agredido por apoiantes da ZANU-PF pela contribuição feita no encontro de 18 de Agosto de 2010. O apoiante do MDC sugerira na sua intervenção que a nova Constituição do Zimbabwé deveria reconhecer as atrocidades de Gukurahundi, a operação Murambatsvina e o genocídio de 2008. Isto não caíu bem aos apoiantes da ZANU-PF que atacaram o simpatizante do MDC e forçaram as 600 pessoas presentes a abandonarem a reunião”, de acordo com o relatório.
 “Os principais autores de violações dos direitos humanos no período registado (Agosto) foram os chamados Veteranos de Guerra, milícias da Juventude da ZANU-PF, chefes tradicionais, agentes e oficiais da Polícia e membros no activo do Exército Nacional (ZNA)”, acusou o ZPP, que descreveu incidentes nos quais cidadãos brancos foram simplesmente impedidos de participar em reuniões por não serem reconhecidos co-mo zimbabweanos.

 Também a organização não governamental Human Rights Watch (HRW), em comunicado difundido em Joanesburgo, acusou a ZANU-PF de fomentar a violência contra todos aqueles que de alguma forma discordam das políticas de Mugabe.
 “A ZANU-PF e os seus apoiantes continuam a cometer abusos com total impunidade, enquanto a Polícia se mantém parcial. O governo do Zimbabwé tem de pôr cobro a todos os ataques e permitir que o processo de consulta popular proceda sem violência”, salientou.
 A HRW afirmou que todos os dados recolhidos no terreno apontam para “um grave aumento dos níveis de violência”.

 Nas zonas rurais, várias fazendas comerciais, ainda na posse de proprietários brancos, são invadidas, gado morto pelos invasores e propriedade destruída e incendiada, muitas vezes sob o olhar de comandantes da polícia, acrescentou.
 A fazenda Twyford, em Chegutu – um investimento francês no país – foi ocupada durante cerca de um ano por um senador da ZANU-PF, identificado como Jamaya Musuvuri, que terá contratado grupos de jovens milicianos para a ocupar.
 Os proprietários da fazenda disseram que, após mais de um ano de batalha jurídica para recuperar a fazenda, de visitas ministeriais e da ordem judicial que ordenou o despejo dos ocupantes ilegais, a re-sidência e outras infra-estruturas da propriedade foram incendiadas por desconhecidos.
 Os legítimos proprietários lutam agora, com o apoio das autoridades francesas e os tribunais regionais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), pela indemnização total das perdas sofridas no processo.