António Guterres empossado como secretário-geral das Nações Unidas

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António Guterres empossado como secretário-geral das Nações Unidas

O antigo primeiro-ministro português António Guterres tornou-se na segunda-feira, 12 de Dezembro, oficialmente o 9.º secretário-geral da ONU com um juramento sobre a Carta das Nações Unidas, numa cerimónia na assembleia-geral da organização.

 "Eu, António Guterres, juro solenemente exercer com toda a lealdade, discernimento e confiança, as funções que me são confiadas", disse o novo secretário-geral das Na-ções Unidas, com a mão es-querda pousada sobre a Carta das Nações Unidas e a mão direita levantada.

 No juramento, Guterres comprometeu-se ainda a regular a sua conduta apenas tendo em vista os "interesses das Nações Unidas" e "não procurar nem aceitar instruções de qualquer governo ou outra autoridade externa à organização".

 O momento foi acompanhado na tribuna pelos presidentes de vários órgãos das Nações Unidas, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelos diplomatas que representam os grupos regionais.

 De seguida, António Guterres abraçou, de forma emocionada, o Presidente e, depois, o primeiro-ministro portugueses, e também o secretário-geral cessante, Ban Ki-moon.

 

* Prioridades de Guterres

 

 O novo secretário-geral da ONU, António Guterres, identificou como as "três prioridades estratégicas" do seu mandato o trabalho pela paz, o apoio ao desenvolvimento sustentável e a gestão interna da organização.

 "Quero sublinhar três prioridades estratégicas: o nosso trabalho pela paz, o nosso apoio ao desenvolvimento sustentável e a nossa gestão interna", no seu primeiro discurso como secretário-geral da organização, após ter prestado juramento sobre a Carta das Nações Unidas, perante a assembleia-geral da organização.

 Para António Guterres, "as mulheres e homens a trabalhar nas operações de paz das Nações Unidas dão uma contribuição heroica, arriscando as próprias vidas, mas são-lhes frequentemente atribuídas tarefas de manutenção de paz onde não há paz para manter".

 "Uma maior clareza conceptual e uma compreensão partilhada do objetivo da manutenção de paz devem apontar o caminho para reformas urgentes. Devemos criar um contínuo de paz, desde a prevenção e resolução de conflitos à manutenção de paz, construção de paz e desenvolvimento", disse o novo res-ponsável da ONU, que iniciará o mandato de cinco anos no dia 1 de janeiro de 2017.

 

* Guterres preparado para se "envolver

pessoalmente" na resolução de conflitos

 

 O novo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou-se preparado para se envolver pessoalmente na resolução de conflitos, destacando a necessida-de de “fazer mais” nesse sentido, mas acentuou a importância de apostar na prevenção.

 “Estou preparado para me envolver pessoalmente na resolução de conflitos onde isso trouxer um valor acrescentado, reconhecendo o papel de liderança dos Estados-membros”, declarou António Guterres, num discurso após ter prestado juramento sobre a Carta das Nações Unidas, perante a assembleia-geral da ONU.

 “A prevenção é o que os fundadores das Nações Unidas nos pediram para fazer. É a melhor forma de salvar vidas e de reduzir o sofrimento humano. Onde a prevenção falha, devemos fazer mais para resolver conflitos”, considerou.

 Na resposta a “crises graves” como as da Síria, Iémen e Sudão do Sul ou a “disputas longas” como o conflito israelo-palestiniano, são necessárias “mediação, arbitragem e diplomacia criativa”.

 Na sua intervenção, Guterres falou em inglês, francês e espanhol.