António Costa não se candidata a líder do PS

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António Costa não se candidata a líder do PS

O presidente da Câmara de Lisboa elogiou ontem, domingo, o secretário-geral do PS pela solução de entendimento que apresentou e frisou que no actual contexto não faz qualquer sentido uma candidatura alternativa sua à liderança do partido.

 “Dou os meus parabéns ao secretário-geral” do PS, António José Seguro, e “neste contexto não faz qualquer sentido uma minha candidatura” à liderança, afirmou António Costa aos jornalistas no final da reunião da Comissão Nacional deste partido.

 Nas suas declarações, António Costa afirmou que estará “empenhado na execução da estratégia” do PS nos próximos anos, trabalhando para que o seu partido tenha o melhor resultado possível nas eleições autárquicas, europeias e legislativas.

 “Sou militante do PS desde os 14 anos e não me lembro de nenhum momento em que não tenha estado totalmente empenhado”, disse, antes de comentar as sondagens que o davam como o melhor líder para os socialistas.

 “Vi essas sondagens com simpatia, mas o que está em causa é uma unidade construída em torno da estratégia do PS. Acho que a estratégia saiu mais clara, mais fortalecida e pode ser um ponto de viragem – espero que o seja”, frisou.

 António Costa defendeu depois que o PS deve estar concentrado no que é essencial: “É preciso responder à crise, estabilizar a economia, haver concertação social e renegociação do programa de ajustamento”.

 “Essas são as prioridades das prioridades. Tudo requer trabalho e esforço e, felizmente, acho que o trabalho e esforço deram sentido”, acrescentou.

 

* PS considera falta de seriedade culpar-se um qualquer Governo pela origem da crise

          

 O documento de orientação estratégica apresentado ontem pelo secretário-geral do PS salienta que os socialistas assumem por inteiro as suas responsabilidades “presentes e passadas”, considerando que não é sério responsabilizar-se um Governo pela actual crise financeira.

 Referido como “Documento de Coimbra”, o texto que António José Seguro levou à Comissão Nacional do PS foi aprovado apenas com duas abstenções, tendo 27 páginas, três capítulos e dedicando um dos pontos às causas da actual crise económica e financeira.

 Na controvérsia sobre a responsabilidade dos executivos de José Sócrates na presente situação do país – uma das questões levantadas pelo chamado sector “socrático” dos socialistas -, o texto elaborado por António José Seguro tira uma conclusão: “Querer assacar a qualquer Governo a responsabilidade pela crise não é sério”.

 “Justo será reconhecer que todos os governos tiveram a sua responsabilidade”, refere-se, numa alusão às debilidades estruturais da economia portuguesa (fraco crescimento económico, dependência externa, insuficientes re-formas económicas e desequilíbrio das finanças públicas).

 Em relação ao PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento), o texto diz apenas que, na sequência do seu chumbo, foi assinado pelo então Governo um programa de ajustamento económico e financeiro com a ‘troika’ (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Co-missão Europeia).

 Mas, antes, nesse documento, também se salienta o seguinte: “O PS rejeita a narrativa simplista e moralista da direita sobre a actual crise ao ignorar o forte impacto da crise internacional na economia portuguesa e ao criar a ideia de que os portugueses viveram acima das suas possibilidades”.

 Ainda em relação à crise, advoga-se que no final de 2010, depois da Grécia, “Portugal foi apanhado no turbilhão das dívidas soberanas” no preciso momento em que punha em execução “uma po-lítica orçamental contracíclica para combater a crise económica decorrente da crise do subprime norte-americano”.

 Em termos de propostas, o documento insiste na tese do secretário-geral do PS a favor de uma renegociação das condições de ajustamento com metas e prazos credíveis, alargamento dos prazos de pagamento de parte da dívida pública, renegociação da ‘postcipação’ do pagamento de juros concedidos ao abrigo do programa de assistência financeira e apoio a projetos de investimento re-produtivo.

 No texto, diz-se ainda que o PS deve liderar o debate sobre a reforma do Estado, em particular nos sectores da justiça, segurança e defesa, mas recusando-se que a reforma seja centrada no Estado social.

 Tal como António Costa defendeu em recente entrevista à TVI, o documento também apoia um acordo de concertação estratégica de médio e longo prazo para promover a competitividade da economia, com o aumento do salário mínimo nacional, mas acrescentando-se igualmente a defesa de um aumento das pensões mais reduzidas.

 Na conferência de imprensa final, António José Seguro re-feriu que estas matérias serão levadas pelo PS para o quadro da concertação social e salientou que, em matéria de salário mínimo, há uma “vinculação” do Estado Português ao memorando da ‘troika’.

 

* Comissão Nacional do PS aprova por unanimidade datas das eleições directas e congresso

          

  A Comissão Nacional do PS aprovou ontem, por unanimidade, a marcação das eleições directas para o cargo de secretário-geral para 13 de abril e a realização do congresso entre 26 e 28 do mesmo mês.

 Na mesma reunião, foi aprovado com apenas duas abstenções o documento de orientação estratégico apresentado pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, que servirá de base à moção que levará ao congresso.

 Na Comissão Nacional do PS, foi também aprovada a Comissão Organizadora do Congresso (COC), que, tal como há dois anos, voltará a ser liderada pelo presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo.

 Na COC estarão ainda dirigentes socialistas como Maria de Luz Rosinha, Ricardo Bexiga, Paula Barros, Ana Venâncio, Joana Lima, Manuel Laje, Alexandra Tavares Moura e Amílcar Romano.

 Em declarações aos jornalistas, o secretário nacional do PS para a Organização, Miguel Laranjeiro, disse que as datas aprovadas pela Comissão Nacional do PS “representam o prazo mais curto possível” para a conclusão do processo interno.

 “As votações mostram que há uma grande unidade à volta da direcção e do secretário-geral do PS, António José Seguro. O partido está unido contra o Governo mais ultraliberal da história do país e em defesa do Estado social. Sai desta Comissão Nacional do PS uma unidade com vista aos combates futuros”, sustentou Miguel Laranjeiro.

 

* Seguro usou o mesmo titulo da moção de Passos coelho ao congresso do PSD

          

 O secretário-geral do PS desvalorizou ontem o facto de o documento que apresentou na Comissão Nacional ter o mesmo título, “Portugal primeiro”, que uma moção da autoria do presidente do PSD.

 Em conferência de imprensa, António José Seguro foi confrontado com o facto de a moção de estratégia de Pedro Passos Coelho ao congresso do PSD de 2010 também se intitular “Portugal primeiro”, tal como o documento estratégico apresentado ontem na Co-missão Nacional do PS.

 “Sabem que títulos são usados na vida pública e na vida política e que o mais importante é o conteúdo. Esse título [Portugal primeiro] expressa a nossa vontade em ajudar a construir um país diferente”, alegou.

 Segundo António José Seguro, ao contrário do primeiro-ministro, o PS “não considera o desemprego uma surpresa, nem uma inevitabilidade”.

 “Ao longo destes anos de Portugal democrático devem ter existido vários títulos associados a Portugal. O que faz confusão aos portugueses é o primeiro-ministro, que ganhou as eleições com base em promessas, não as estar agora a concretizar. O que faz confusão é termos um primeiro-ministro que está a fazer no Governo o contrário do que prometeu, que se prepara para fazer um corte de quatro mil milhões de euros sem mandato e que coloca Portugal no último lugar”, acrescentou.