António costa está na China

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António costa está na China

O primeiro-ministro portu-guês, António Costa, agradeceu no sábado ao Chefe de Estado chinês, Xi Jinping, "o apoio decisivo" dado pela República Popular da China ao longo do processo de candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

Este agradecimento foi feito por António Costa logo no primeiro ponto do seu programa de visita oficial de quatro dias à China, durante a audiência com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhang Dejiang, e foi depois repetido na reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping.

 Na Assembleia Nacional Popular, com os ministros da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, sentados ao seu lado, António Costa declarou: "Aproveito esta oportunidade para agradecer o apoio claro e firme prestado pela República Popular da China à candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas".

 Logo a seguir, na reunião com o Chefe de Estado chinês, o primeiro-ministro salientou o carácter "decisivo" do posicionamento da China nas Nações Unidas para tornar possível a eleição de António Guterres.

 O Presidente da República da China, por seu lado, além de se referir à eleição de António Guterres, também felicitou António Costa pela vitória de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol, em França.

 Tanto na reunião com Zhang Dejiang, como no encontro com o Chefe de Estado, Xi Jinping, António Costa referiu o quadro de relações históricas entre Portugal e a China, destacando como "exemplo de grande confiança" entre os dois países a forma como decorreu o processo de transição de Macau.

 "A transição de Macau decorreu de forma exemplar. E Macau tem assumido o papel de importante plataforma nas relações com os países de expressão portuguesa", disse António Costa.

 Em ambas as reuniões, o primeiro-ministro português também se referiu à questão económica e ao objectivo de expandir na China a língua portuguesa.

 "Para além das relações políticas, temos assistido a um grande crescimento das nossas relações económicas e culturais. Em breve vamos assinar acordos no domínio da cooperação cultural", adiantou o primeiro-ministro português, antes de se referir à realização em Pequim do festival de cinema português.

 Perante o Presidente da República da China, António Costa elogiou ainda a comunidade chinesa residente em Portugal.

 

* Eu sou meio vizinho da China – António Costa

 

 O primeiro-ministro definiu-se ontem como "meio vizinho da China", numa alusão às origens indianas do seu pai e num discurso em que salientou os caracteres pluricontinental do português e multilateral inerente à história da diplomacia nacional.

 António Costa respondia a questões formuladas por estudantes da Universidade de Tsinghua, uma das mais prestigiadas da China e que está situada na zona norte de Pequim, depois de ter feito um discurso inicial em que citou escritores como Fernando Pessoa, Luís de Camões, Vergílio Ferreira e José Saramago para defender a tese da universalidade da língua portuguesa.

 Na sua última resposta a perguntas da plateia, perante um anfiteatro cheio de alunos e professores chineses, o líder do executivo português falou sobre o caráter pluricontinental da língua portuguesa e também sobre a capacidade de os portugueses, enquanto povo, "saberem compreender o outro, quer para acolhimento, quer para a sua própria integração".

 "Posso aliás dar o meu exemplo, porque sou o primeiro primeiro-ministro de um país da União Europeia que tem origem extra europeia, visto que o meu pai era de origem indiana, um país vizinho da China", declarou António Costa.

 Poucos segundos depois, a seguir à tradução chinesa das suas palavras, o primeiro-ministro concluiu a sua ideia: "Portanto, eu sou meio vizinho da China", disse, provocando risos na plateia e, em seguida, algumas gargalhadas.

 No período de respostas a perguntas, o primeiro-ministro referiu-se à recente eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas como sendo um símbolo da capacidade dos portugueses "em unir os povos".

 Perante estudantes de língua portuguesa, António Costa defendeu que a diplomacia portuguesa tem uma tradição de "multilateralismo", que está assente numa língua portu-guesa falada em quatro diferentes continentes.

 Neste contexto, o primeiro-ministro referiu que da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) faz parte "a maior economia da América do Sul, o Brasil", e que entre os seus Estados-membros estão também as nações africanas que "registam maior crescimento económico".

 António Costa referiu-se ainda ao papel de Macau como "plataforma" para a aproximação da China aos países lusófonos e à presença de Timor-Leste no sudoeste asiático.

 Ou seja, segundo o primeiro-ministro, saber português "é ter acesso a um mercado de 250 milhões de habitantes" e compreender "a quinta língua mais falada na Internet".

 Na China continental frequentam a licenciatura de português quase 1600 alunos, sendo ensinada em 22 universidades – isto, quando, até 2003, só havia três.

 

* Costa apela a empresários chineses para criarem novos activos em Portugal

 

 O primeiro-ministro apelou ontem directamente aos líderes de alguns dos maiores grupos económicos chineses para entrarem num novo patamar de investimento em Portugal, criando agora "novos activos", e destacou as potencialidades estratégicas do porto de Sines.

 António Costa falava em Pequim, no início de um pequeno-almoço com empresários chineses, entre os quais se encontravam praticamente todos os que já realizaram elevados investimentos em Portugal, como os líderes da Fosun (Guo Guangchang), da China Three Gorges (Lu Chun), da State Grid (Yang Qing), da Haitong (Qu Qiu-ping) e do Bank of China (Tian Guoli).

 Na mesa do encontro encontravam-se ainda representantes de potenciais investidores chineses em Portugal, como o vice-presidente da Huawei Qu Wenchu, e do ‘chairman’ do HNA Tourism, Zhang Ling, assim como alguns dos principais gestores portugueses de aquisições chinesas em Portugal, casos do presidente executivo da EDP, António Mexia, e do administrador do Haitong Bank, José Maria Ricciardi.

 No discurso de abertura da reunião, que foi aberto aos jornalistas, o primeiro-ministro português dedicou precisamente as suas últimas palavras aos gestores portugueses: "Vejo aqui à volta desta mesa vários portugueses, o que quer dizer que os empresários chineses encontraram no meu país excelentes quadros para garantir os seus investimentos", disse.

 Perante os empresários chineses, a intervenção de António Costa teve como objectivo defender que "há um novo patamar" na cooperação, "com a criação de novos activos no país, ou a partir de Portugal para terceiros países".

 "Há novas áreas que justificam uma parceria económica entre os dois países", acentuou António Costa, numa alusão ao facto de os investimentos chineses até agora realizados em Portugal se terem limitado à aquisição de activos empresariais.

 Entre as novas áreas de cooperação, o primeiro-ministro disse que Portugal está interessado em corresponder ao "grandes projectos" do Presidente chinês, Xi Jinping, ao nível da interconexão internacional da energia e no sentido de criar uma rota marítima mundial chinesa.

António Costa destacou então as potencialidades do acordo recentemente celebrado entre Portugal e Marrocos no domínio da energia e a localização "estratégia" do porto de Sines na faixa atlântica para as ligações com África e com o continente americano (sobretudo na sequência do alargamento do canal do Panamá).

 Com o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, ao seu lado, António Costa deixou também uma mensagem política aos empresários chineses: "Os vossos investimentos representaram um sinal de confiança em Portugal e no potencial da economia portuguesa na Europa e ao nível trilateral [com os países lusófonos]".

 "Mas há novas áreas em que podemos cooperar", insistiu.

 António Costa iniciou no sábado uma visita oficial à China que, além de Pequim, o levará também a Xangai e Macau