Antes prevenir que remediar

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Antes prevenir que remediar

Alguém em Pretória está a proceder à recolha de assinaturas na comunidade para, caso venha a ser necessário, face aos rumores que começam a circular com alguma insistência, fazer chegar a quem de direito e na devida altura, caso tal venha a acontecer, a sua total discordância quanto ao possível encerramento da secção consular, nesta capital administrativa da África do Sul, onde reside uma grande comunidade portuguesa.

 Em tom de opinião diremos que não nos parece muito viável o encerramento desta repartição, face à sua designação “Secção Consular da Embaixada de Portugal, em Pretória”, por conseguinte e com toda a legitimidade agregada à nossa embaixada, onde quanto a nós e parecer generalizado devia funcionar, e mais à frente diremos a nosso ver e segundo o ponto de vista de muitos o porquê, a começar pelos moldes como vem sendo gerida, algo diferentes, dos postos consulares que funcionam nos vários países de emigração portuguesa, e senão vejamos:

 Enquanto na sua maioria essas repartições têm a geri-las um cônsul, ou em sua substituição alguém aí colocado com essas funções, esta de Pretória, muito embora dotado de chanceler – diga-se a propósito muito competente, da-da a experiência adquirida ao longo de muitos anos de serviço, a maior parte dos quais com o vice-coôsul Mário Silva -, daí conhecer a fundo os problemas que se prendem com toda a espécie de documentação que diariamente é requerida nestes serviços pelos nossos compatriotas, e maneira de os resolver, assim como os de pessoas de outras nacionalidades interessadas na sua deslocação a Portugal, abertura de negócios, transacções comerciais com o nosso país, ou qualquer outro motivo, face ao conjunto de leis adoptadas aos estrangeiros, tem sido gerida por secretários, conselheiros, ou encarregados de negócios da nossa embaixada, presentemente pela dra. Ana e Brito Maneira.

 Mas se o motivo do possível encerramento desta secção consular se relaciona como acreditamos, na austeridade, e por conseguinte, como na generalidade, reduzir ao máximo as despesas do Estado, há em relação a esta repartição um argumento a consi-derar, em vez de se estar a pagar uma renda mensal com o aluguer das instalações que em Groenkloof presentemente ocupa, decerto bastante elevadas, mudá-las para a embaixada, onde talvez deva haver aposentos para o efeito, estamo-nos a lembrar por exemplo, e sem com isto me-ter foice em seara alheia, dos que no passado e em anos sucessivos foram utilizados pelo adido de defesa, que bem aproveitados dariam para ajudar a resolver esse problema, e com isso a pouparem-se provavelmente os quarenta ou cinquenta mil randes mensais com o seu arrendamento, até custando a acreditar que face às medidas de redução de despesas, esta opção não tenha sido posta em prática há mais tempo por quem de direito.

 Como nós muitos interrogam o porquê da razão desta sec-ção consular não funcionar onde por direito devia estar, na nossa embaixada, porque aí seria o lugar certo de operar, e como tal, a funcionar debaixo do mesmo tecto, até seria evitado por outro lado, a deslocação diária ou periódica da pessoa que com funções de chefia dessa repartição, a ela se desloca sempre que necessário, para se inteirar do seu funcionamento, ou assinatura de determinado expediente, para no respeitante a despesas, o que o Estado Português gastou até hoje em aluguer de instalações para funcionamento desta secção consular da embaixada, daria para construir sabe-se lá quantas instalações idênticas às que presentemente ocupa, com o inconveniente de estar a pagar para uma propriedade que a continuar-se neste sistema nunca poderá ser sua.

 E para reforçar o que afirmamos, agora que se está a proceder à recolha de assinatu-ras para evitar o encerramento, há na comunidade, caso não seja possível a transferência da secção consular para a nossa embaixada, pelo menos em certos desabafos proferidos na nossa presença, quem esteja disposto a ajudar a suportar parte dos encargos no respeitante ao aluguer de instalações, se possível mais modestas, para assim se evitar o pior, o seu encerramento, o que a acontecer afectaria os milhares de concidadãos que residem em Pretória.