Angolano BNI prepara entrada na banca portuguesa

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BNIO angolano Banco de Negócios Internacional (BNI) associou-se a parceiros portugueses com o objectivo de abrir um banco de negócios e uma seguradora em Portugal, um projecto que está a ser liderado por Homero Coutinho, ex-responsável do Deutsche Bank em Portugal.

O Público apurou que as propostas ainda não foram submetidas à apreciação das autoridades de supervisão nacionais: Banco de Portugal e Instituto de Seguros de Portugal.

 Contactado o BNI, um responsável ligado ao seu presidente e principal accionista, Mário Moreira Palhares, referiu ao Público que o gestor não podia tecer comentários neste momento por considerar que ainda era demasiado cedo, uma vez que o projecto ainda não está concluído.

 A equipa liderada por Homero Coutinho está neste momento a ultimar os detalhes do projecto que deverá juntar accionistas portugueses e angolanos.
 Tudo indica que o BNI assumirá uma posição entre 30 a 40 por cento do capital do novo banco e da nova seguradora.
 Há dias Mário Moreira Palhares (ex-presidente do Banco Africano de Investimento e ligado à Sopescas), era esperado em Lisboa para se reunir com os restantes promotores do projecto, onde se encontram particulares portugueses e pequenas e médias empresas exportadoras, algumas já a desenvolver actividade em Angola (como construtoras, por exemplo). Neste momento, Homero Coutinho está já a recrutar quadros da área seguradora, uma vez que este é o projecto que está mais adiantado.

 João Ermida, que integra a equipa de gestão provisória do Banco Privado Português (BPP), é um dos nomes que surgem associados a esta iniciativa, como consultor. João Ermida trabalhou no Citibank e na corretora de Nuno Contreras antes de integrar o Grupo Santander em 1993. Em 1998 partiu para Madrid para assumir responsabilidades na área de Tesouraria e dos Mercados Financeiros do grupo espanhol, acabando por se demitir em 2003.

 Com sede em Luanda, o BNI iniciou a sua actividade em Novembro de 2006, totalmente detido por investidores angolanos. Segundo o Relatório e Contas de 2007 do BNI, os seus maiores accionistas são Mário Moreira Palhares (detentor de 45 por cento do capital) e Welwitschea dos Santos ("Tchizé" dos Santos, filha do Presidente angolano José Eduardo dos Santos, ex-deputada do MPLA, responsável do canal público de televisão TPA 1 e sócia da Semba Comunicações, entre outros negócios), administradora não executiva e detentora de 13,3 por cento.

 Seguem-se João de Matos (general, ex-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e ligado à Genius, que está a montar uma fábrica com a Sumol+Compal), com sete por cento, José Eduardo Paulino dos Santos (também ele filho de José Eduardo dos Santos e sócio da Semba Comunicações), com 6,6 por cento, Arnaldo Sousa Calado (administrador não executivo do banco e presidente da empresa estatal de diamantes, a Endiama), com seis por cento, José Garcia Boyol (vice-presidente do BNI e presidente do Banco Privado Internacional, com sede em Cabo Verde), com cinco por cento, e Ricardo Viegas de Abreu (vice-presidente do BNI, recentemente nomeado vice-governador do Banco Nacional de Angola), com cinco por cento.

 O restante capital está distribuído por outros accionistas, incluindo dois administradores, Luís Pisoeiro e Carlos Rodrigues.

 Na sequência da sua estratégia de expansão doméstica, o BNI celebrou uma parceria com a multinacional financeira Mastercard para emissão em Angola de cartões de débito e de crédito da marca norte-americana. A ideia é desenvolver uma rede de caixas multibanco e terminais de pagamento (POS – Point Of Sale).
 Esta instituição tem ainda parcerias locais com o Deutsche Bank e com o grupo holandês Fortis.