Angola quer fortalecer relações com Portugal e admite estabelecer parcerias público-privadas

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Angola quer fortalecer relações com Portugal e admite estabelecer parcerias público-privadas

O chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, afirmou na sexta-feira o interesse de Angola e Portugal fortalecerem as relações político-diplomáticas para potenciar uma maior aproximação no sector dos negócios e mesmo o desenvolvimento de parcerias público-privadas.

 O governante angolano discursava em Luanda na abertura das conversações com o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que na sexta-feira iniciou uma visita oficial de três dias a Angola.

 Para Georges Chikoti, esta visita é "uma demonstração do interesse inequívoco" dos dois países na "contínua dinamização das relações bilaterais e na identificação de novas oportunidades de parcerias mutuamente vantajosas".

 "Neste contexto, o estado actual das nossas relações político-diplomáticas e de cooperação deve ser cada vez mais fortalecido, sendo por isso necessário a promoção e o incremento do diálogo político ao mais alto nível com vista à criação das condições objetivas para a aproximação do setor dos negócios e desenvolvimento de parcerias privadas ou público-privadas", disse o ministro das Relações Exteriores de Angola, na recepção à comitiva portuguesa.

 O ministro português chegou na sexta-feira a Luanda para uma visita oficial de três dias, e foi recebido de manhã pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

 Portugal recuperou no terceiro trimestre de 2016 a liderança nas origens das importações angolanas, antes dominadas pela China, que no entanto permanece no topo dos destinos das exportações de Angola, comprando praticamente metade do petróleo produzido no país.

 Nesta visita oficial, Augusto Santos Silva fez-se acompanhar pelos secretários de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e da Agricultura, Luís Medeiros Vieira.

 Para Georges Chikoti, esta visita deverá servir para o "intercâmbio de ideias sobre as possibilidades e as formas de estimular a cooperação económica", que apresenta um "universo de oportunidades" que merecem ser mais bem exploradas, nomeadamente no sector da Agricultura, uma das prioridades definidas pelo Governo angolano como resposta à crise que resultou da quebra nas receitas com a exportação de petróleo.

 "A agricultura constitui a alavanca do processo, pois para além de ser o setor que mais emprega, contribui significativamente para a redução da fome e da pobreza da população rural, numa visão de tornar o país autossuficiente" em termos alimentares.

 O governante angolano sublinhou que a nova legislação sobre o investimento privado, nomeadamente o valor mínimo para investir em Angola, e a redução no "excesso de burocracia" na emissão de vistos, vieram "dar resposta" a algumas das "preocupações frequentemente apresentadas" pelos empresários portugueses e não só.

 "As novas modalidades de incentivos estão mais atractivas, por esta razão encorajamos os investidores portugueses a encararem o futuro com optimismo", disse Chikoti, dirigindo-se à comitiva portuguesa.

 A visita de Augusto Santos Silva visou igualmente preparar a anunciada deslocação oficial do primeiro-ministro português, António Costa, a Angola.

 No sábado, o governante português efectuou visitas às províncias do Huambo e Benguela, e no domingo, à da Huíla.

 

* MNE português classifica relações bilaterais com Angola como "muito ricas

e densas"

 

 O ministro dos Negócios Estrangeiros português classificou na sexta-feira como "muito ricas e muito densas" as relações bilaterais entre Portugal e Angola, anunciando visitas do ministro angolano da Agricultura a Lisboa e da ministra da Justiça portuguesa a Luanda.

 Segundo Augusto Santos Silva, a prova das boas relações é que, no que diz respeito a este Governo português, que vai no seu 15º mês de mandato, esta é a quinta visita de um membro do Governo a Luanda.

 "Designadamente, ainda há pouco estiveram aqui os ministros do Ambiente e da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior de Portugal e em ambos os casos com resultados concretos", referiu.

 O chefe da diplomacia angolana considerou igualmente muito importante o trabalho que tem sido feito ao nível setorial, nomeadamente em favor do grande objetivo da política económica de Angola, que é a diversificação da economia, quer sectorial quer territorial.

 O governante português frisou que a presença do secretário de Estado da Agricultura e Alimentação nesta visita tem como objectivo preparar a deslocação do ministro angolano da Agricultura, Marcos Nhuca, a Portugal, que deverá ocorrer entre os dias 16 e 18 deste mês.

 Esta visita, de acordo com o MNE português, servirá para dar "um salto qualitativo na cooperação entre os dois países na área da agricultura e do desenvolvimento rural".

 Na sua intervenção, Augusto Santos Silva confirmou igualmente a visita a Angola da ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van-Dúnem, que terá lugar de 22 a 24 deste mês.

 "Um dos objetivos principais da minha presença aqui é justamente poder acertar a próxima deslocação do Primeiro-ministro de Portugal a Angola", disse o ministro.

 Augusto Santos Silva frisou que o objetivo é que a a visita do primeiro-ministro português possa realizar-se no mais curto prazo de tempo possível, para criar as condições para uma visita de Estado do Presidente da República de Portugal a Angola.