“Angola pode ser processado pelos EUA como membro da OPEP”

0
40

“Angola pode ser processado pelos EUA como membro da OPEP” – afirma empresário

  Pedro Godinho, ligado ao sector petrolífero, alertou que os países membros da OPEP, incluindo Angola, podem ser processados pelo departamento de Justiça dos EUA por actuarem contra os princípios da lei anti-concorrencial.

  Segundo afirma o empresário angolano Pedro Domingos Godinho, o departamento de Justiça norte-americano “aguarda apenas pela aprovação no Congresso e no Senado para processar” os países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) porque os Estados Unidos da América “concluíram que a exis-tência de cartéis vai contra os princípios elementares da livre concorrência e da lei anti-cartéis”. “As consequências dessa acção podem conduzir ao congelamento dos activos desses países incluindo Angola”, afirmou o empresário à Agência Lusa.

  A OPEP, fundada em Setembro de 1960, é

constituída por 13 países: Angola, que em 2021 vai presidir à organização intergovernamental, Argélia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Guiné Equatorial, Gabão, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, República do Congo e Vene-zuela.

* A “salvação” até agora

  O empresário angolano e presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola (Amcham-Angola) afirma que os membros OPEP “ainda não foram processados”, porque o Governo norte-americano “procura mecanismos para contornar o acordo de parceria estratégica que tem com a Arábia Saudita”.

  “Neste momento, Angola ainda não foi apanhada nisso, porque não conseguem pegar na Arábia Saudita devido a um acordo de parceria entre ambos os países”, realçou.

  A diplomacia económica constitui um dos eixos da governação do presidente angolano, João Lourenço, há três anos no poder.

* Saída de Angola da OPEP?

  Para Pedro Domingos Godinho, que defende a saída de Angola da OPEP, a possibilidade do país fazer parte de uma “lista negra”, na Justiça norte-americana pode contrastar com a “luta ti-tânica” que João Lourenço faz no sentido de “melhorar a imagem de Angola no exterior”.

  “Porque, então, Angola faz parte de uma organização que corre o risco de ser posta na lista negra?”, questionou.

  “Eu acho que uma saída da OPEP seria uma grande oportunidade de Angola alinhar-se com as grandes nações democráticas do Mundo que defendem ferozmente a lei anti-cartel”, concluiu.

  Angola é o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana. Aderiu à OPEP em 2007 e já presidiu à organização em 2009.

* Produção diária caiu em Novembro para 1,179 milhões de barris

  Angola produziu 1,179 milhões de barris de petróleo por dia em novembro, menos 6.000 face a Outubro, segundo o relatório mensal da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ora divulgado.

  Os valores publicados, com base em dados de fontes secundárias, registam uma baixa da produção, depois de uma quebra de 51 mil barris por dia em outubro, face ao mês anterior.

  Em Setembro, a contagem da OPEP assinalou 1,236 milhões de barris diários, sendo que esta produção viria a baixar no mês seguinte, para 1,185 milhões de barris por dia.

  Angola manteve a posição de segundo maior produtor africano de crude na OPEP, atrás da Nigéria.

  A Nigéria, líder africana na produção petrolífera, viu a sua produção diária também diminuir, para 1,472 milhões de barris, embora o seu crescimento tenha sido mais alto, com cerca de menos 10.000 barris por dia.

  Durante praticamente todo o ano de 2016 e até maio de 2017, Angola liderou a produção de petróleo em África, posição que perdeu desde então para a Nigéria.

  A produção na Nigéria foi condicionada, entre 2015 e 2016, por ataques terroristas, grupos armados e instabilidade política interna.

  O mais recente relatório da OPEP refere também que, em termos de “comunicações diretas” à organização, Angola terá produzido 1,219 milhões de barris por dia em Novembro, mais 25.000 barris por dia que no mês anterior.

  No caso da Nigéria, a produção diária situou-se em 1,329 milhões de barris em novembro, embora tenha registado uma diminuição na ordem dos 18.000 barris por dia face ao mês anterior.

  Devido às consequências da pandemia de covid-19, com o impacto na economia e a diminuição do consumo, o Comité Técnico Conjunto da OPEP tem vindo a recomendar cortes na produção de petróleo.

  A pandemia atingiu a procura de petróleo devido ao abrandamento económico global, com restrições à circulação, o teletrabalho e a redução das viagens a provocarem a queda do consumo de energia.

  Angola foi eleita, a 30 de Novembro, para a presidência rotativa da conferência de ministros da OPEP em 2021, em substituição da Argélia.

  A OPEP existe desde 15 Setembro de 1960 e integra a Argélia, Angola, Guiné Equatorial, Gabão, Irão, Iraque, Koweit, Líbia, Nigéria, República do Congo, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Venezuela.