Angola eleita para o Conselho de Paz e Segurança da União Africana

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 Angola foi eleita, em Adis Abeba, para um mandato de dois no Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA), anunciou fonte oficial do Ministério das Relações Exteriores angolano.

 De acordo com a mesma fonte, trata-se da terceira vez que Angola integra este órgão, depois da eleição em 2007 e 2010, tendo a candidatura angolana de 2018 sido apresentada pela região da África Austral.

 Além de Angola, foram igualmente eleitos, para o Conselho de Paz e Segurança da UA, o Zimbabwé e Marrocos, mandato que se inicia a 1 de Abril de 2018.

 As medidas para acelerar a reforma da UA centraram a cimeira da organização, que decorreu em Adis Abeba, capital da Etiópia e sede daquela organização africana, em que, pela primeira vez desde 2010, Angola esteve presente ao mais alto nível.

 Subordinada ao lema “Vencer a Luta contra a Corrupção: Um Caminho Sustentável para a Transformação de África”, a 29.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos 55 Estados-membros da UA  teve em debate um conjunto variado de temas em torno das três principais reformas, estudadas e a apresentar por uma comissão de especialistas africanos, entre eles o guineense Carlos Lopes.

 Além de o Presidente do Ruanda, Paul Kagamé, suceder ao homólogo da Guiné-Conacri, Alpha Condé, na liderança da organização, o que aconteceu no final dos trabalhos, as propostas reformistas, elaboradas pela comissão criada em Julho de 2016 e liderada pelo antigo patrão do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) Donald Kaberuka, passam sobretudo pela “racionalização do campo de acção” da UA em sectores como paz e segurança, questões políticas, integração económica e ascensão de África na cena internacional.

 Por outro lado, esteve em causa também o reajustamento das instituições internas, optimizando as diferentes tarefas nas organizações e instituições regionais, pondo também termo, definitivamente, à reunião anual, passando oficialmente a semestral.

 O terceiro ponto estrutural diz respeito ao autofinanciamento da UA, com a proposta a sugerir a aplicação de uma taxa de 0,2% sobre as importações elegíveis, ou seja, às que não estão sujeitas às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 Os chefes da diplomacia africanos ultimaram os documentos apresendos na cimeira, que contou com a presença de novos chefes de Estado – João Lourenço (Angola), George Weah (Libéria), Emmerson Mnangagwa (interino do Zimbabwé), que substituíram respectivamente José Eduardo dos Santos, Ellen Sirleaf-Johnson e Robert Mugabe.

 O combate à corrupção é também uma das palavras-chave da UA que, depois de consagrar 2017 à juventude e aos desafios demográficos, contou com a presença de chefes de Estado associados ao tema, como os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, e da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, entre

outros. Do outro lado, vários presidentes têm dado provas de efectivo combate à corrupção, com particular destaque para João Lourenço, eleito em Agosto de 2017 e que tem feito dessa luta “um cavalo de batalha”.