Angola e Moçambique esperam mais investimento e financiamento após Fórum África/China

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Angola e Moçambique esperam mais investimento e financiamento após Fórum África/China

A 6ª edição do Fórum China/África serviu para aprovar um pacote de financiamento chinês de 60 mil milhões de dólares destinado ao continente e para transmitir uma mensagem de confiança no relacionamento já existente que foi acolhida de forma po-sitiva pelos dirigentes de Angola e de Moçambique.

 Desde o 1º Fórum China/África, o comércio entre a China e África aumentou 21 vezes, su-perando 222 mil milhões de dólares em 2015, mas a am-bição relevada pelos líderes angolanos e moçambicanos na cimeira de Joanesburgo traduz-se também no apelo a mais investimento industrial, transferência de tecnologia e financiamento de projectos.

 O ministro das Finanças angolano, Armando Manuel, afirmou que a intervenção do presidente chinês na Cimeira “desmistificou o juízo de que as relações da China com África tinham no seu âmago as matérias-primas de que África dispõe”, avançando “uma estratégia muito precisa para responder aos três aspectos no domínio das infra-estruturas, do capital humano e dos recursos financeiros” necessários aos países africanos.

Quanto ao pacote de 60 mil milhões para projectos de desenvolvimento em África, 5 mil milhões devem ser doações e 35 biliões de recursos de crédito preferencial, não incluindo as acções espontâneas da banca comercial chinesa, segundo Armando Manuel, citado pela imprensa an-golana.

 O ministro das Finanças destacou ainda a perspectiva evocada pela China de “deslocação da indústria chinesa para as economias africanas”, enquanto para o ministro da Agricultura, Afonso Canga, Angola deve aproveitar a disponibilidade financeira e tecnológica da China e o objectivo é um programa de investimentos no sector agrícola com investidores dos dois países.

 Max Tonela, ministro da Indústria e Comércio de Mo-çambique, manifestou à Rádio Moçambique a ambição de uma maior transferência de tecnologia e instalação de indústrias chinesas de mão-de-obra intensiva.

 Num encontro com o seu ho-mólogo Xi Jinping, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apresentou a agricultura e recursos minerais como dois dos sectores prioritários para o início da industrialização do país, necessária para abandonar o modelo actual de exportações em bruto e passar a apostar na venda de produtos processados.

 A Rádio China Internacional noticiou que Xi Jinping pediu por seu turno que a China e Moçambique aprofundem as colaborações nas áreas de petróleo e gás natural, mineração, processamento, agricultura, infra-estruturas e finanças.

 O presidente angolano, José Eduardo dos Santos defendeu na sua intervenção na Cimeira que a Declaração de Joanesburgo reflecte a “profundidade e a visão estratégica” do Fórum e que o Plano de Acção 2016-2018 abre uma “nova era de cooperação e progresso”.

 À margem do encontro, San-tos reuniu-se com uma delegação do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), o maior do mundo, que financiou a construção do maior projecto habitacional em Angola, a cidade do Kilamba, e está a financiar a construção da central de ciclo combinado do Soyo.

 O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu ao seu homólogo angolano, durante um encontro entre ambos, uma maior dinâmica na cooperação entre a China e Angola, sublinhando que as relações bilaterais “atravessam o melhor mo-mento de sempre”, com “confiança política recíproca” e “complementaridade econó-mica.”

 Já José Eduardo dos Santos frisou o “sucesso” da sua visita de seis dias a Pequim, em Junho passado, em que foi garantido um novo empréstimo da China a Angola, de seis mil milhões de dólares.

 Angola e a China estão a negociar a um ritmo muito acelerado um novo acordo de introdução de facilidades na concessão de vistos e outro sobre conversão monetária, além de um acordo para protecção recíproca de investimentos, anunciou o embaixador da China em Angola, Cui Aimin, nas vésperas da cimeira.

Também em Joanesburgo esteve o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, que, além de se avistar com o presidente chinês, manteve contactos com uma empresa chinesa da área do audiovisual que pretende investir no arquipélago.