Angola e Guiné-Bissau gastam mais naformação militar do que na Educação

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Angola e Guiné-Bissau

Angola e Guiné-Bissau Angola e Guiné-Bissau gastam mais dinheiro na formação militar do que no ensino básico e um pequeno corte nas despesas da Defesa permitia que mais de 600 mil crianças fossem à escola, revela um relatório da UNESCO.

 De acordo com o relatório “A crise escondida: conflito armado e educação”, agora divulgado, “muitos dos países mais pobres gastam significativamente mais em armas do que na educação básica”.
 Numa análise a vários países, a Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) concluiu que Angola é o segundo que mais dinheiro gasta com a vertente militar do que com a educacional e a Guiné-Bissau é o quarto.
 Segundo o relatório, a Guiné-Bissau gasta 3,8 por cento do Produto Interno Bruto nos investimentos militares e Angola 3,6 por cento.
 Se esses países cortassem 10 por cento nas despesas militares, permitiriam que mais 34 mil crianças tivessem acesso à escola na Guiné-Bissau e 590 mil em Angola.

 No entanto, de acordo com o relatório daquela agência da ONU, em 2009, a Guiné-Bissau cortou em cerca de 15 por cento o seu orçamento para a educação.
 Segundo o documento, entre 2005 e 2008, Angola tinha uma taxa de 73 por cento de jovens letrados e previa-se que chegasse aos 72 por cento em 2015.
 Por seu lado, na Guiné-Bissau quase metade dos jovens (49 por cento) era iletrada, prevendo-se que em 2015 essa percentagem diminuisse para os 41 por cento.

 O relatório daquela agência da ONU indica ainda que várias pesquisas detectaram altos níveis de trabalho infantil e baixos níveis de assiduidade na escola em províncias angolanas que foram mais afectadas pelo conflito armado.
 Situação contrária verifica-se na América Latina, onde os programas para a alfabetização de adultos beneficiaram do investimento político que neles foi feito.

 “No Brasil, o programa “Brasil Alfabetizado” permitiu que oito milhões de jovens e adultos aprendessem a ler”, lê-se no relatório.
O documento revela que os conflitos armados privam 28 milhões de crianças de educação no mundo, expondo-as a ataques contra as suas escolas e a violências sexuais, entre outras.