Angola deverá manter crescimento económico inferior a 3% até 2020

0
138

Angola deverá crescer menos de 3% até 2020, depois de as receitas terem caído mais de 50% desde 2014, obrigando o governo a aumentar a dívida pública para 71,5% do Produto Interno Bruto, afirma o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no relatório Perspectivas Económicas em África, divulgado na quarta-feira em Abidjan, Costa do Marfim.

 “A dívida pública subiu de 65,4% do PIB em 2015 para 71,5% em 2016, reflectindo o aumento do financiamento obtido no mercado comercial para financiar o défice orçamental num ambiente de taxas de juro elevadas no mercado interno e fracas receitas do petróleo”, aponta o BAD.

 O banco estima que Angola tenha escapado à recessão em 2016, tendo crescido 0,1%, e acelerado no ano passado para 2,1%, abaixo dos 2,4% previstos para este ano e 2,8% no próximo e acrescenta que devido aos preços baixos do petróleo “o crescimento do PIB entre 2011 e 2015 foi de 4,7%, abaixo dos 12,6% entre 2006 e 2010.”

 Moçambique, por seu turno, foi atingido pela crise da dívida pública, devendo as exportações de carvão e a produção agrícola sustentar o crescimento previsto para este ano, de 5,3%, depois de em 2017 se ter situado em 4,7%.

 Após anos de expansão das despesas, “empurrando a dívida para níveis insustentá-veis, o governo entrou em incumprimento com as obrigações soberanas, em Janeiro de 2017, e, constrangido financeiramente, está a aplicar um esforço de consolidação”, lê-se no documento, que dá conta de uma redução da despesa, de 33,9%, em 2017, para 30,5% este ano.

 “O declínio dos preços dos bens tradicionais de exportação, efeitos de seca persistente do El Niño, confrontos militares internos e grande decréscimo do investimento directo estrangeiro reduziram praticamente em metade os 7% de crescimento médio histórico do PIB na década passada, para 3,8%, em 2016, queda agravada pela crise de governação de 2016, levando à redução de financiamento externo e apoio de doadores.”