Angola deve recomeçar a atrasar-se nos pagamentos a fornecedores

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Angola deve recomeçar a atrasar-se nos pagamentos a fornecedores

Angola deverá recomeçar a atrasar-se nos pagamentos a fornecedores devido à queda acentuada do preço do barril de petróleo e consequente falta de divisas, escreveu a Economist Intelligence Unit em relatório sobre o país.

 “O governo está a tentar minorar o problema causado pela descida do preço do petróleo e consequente escassez de divisas, promovendo as iniciativas não relacionadas com o petróleo, mas a falta de reservas sobre o exterior está a manietar os esforços para desenvolver outras sectores da economia”, lê-se no documento.

 A moeda nacional angolana sofreu uma desvalorização de mais de 6,6% na semana passada, de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco Nacional de Angola (BNA), insuficiente para travar a subida do dólar no mercado informal.

 Esta desvalorização aconteceu sobretudo em três sessões diárias da semana passada, devido às condições de funcionamento do mercado cambial, mas permanece mui-to abaixo dos preços praticados no mercado informal, a única solução face às dificuldades dos clientes em acederem a divisas junto dos bancos comerciais.

 O resultado, diz a EIU, “levou o Banco Nacional de Angola a impor restrições aos levantamentos e às transacções internacionais”, originando dificuldades para algumas empresas.

 “Há várias empresas que estão a reportar dificuldades em pagar aos fornecedores estrangeiros e em processar salários, e isto criou problemas em vários sectores eco-nómicos, incluindo a construção e a indústria”, dizem os analistas.

 Como sinal destas dificuldades, o presidente angolano pediu ao governo chinês uma moratória de pelo menos dois anos no pagamento da dívida àquele país e a concessão de novas linhas de crédito ou a ampliação das já existentes.