ANC condena Julius Malema

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ANCO chefe da Liga da Juventude do ANC, Julius Malema, apresentou um pedido público de desculpas e foi forçado a pagar uma multa  por ter levado o partido no poder à infâmia – referiu o African National Congress na passada terça-feira.

 Malema desafiou indicações do presidente Jacob Zuma para parar de fazer comentários inflamatórios e de ataque racial.
 O ANC disse num comunicado após uma audição disciplinar que três das quatro acusações contra Malema – que assustou investidores ao exigir que as minas fossem nacionalizadas – , foram retiradas depois de o infractor ter aceite a falta e de ter criticado a decisão do presidente Zuma de o ter reprimendado publicamente.
 “O comité nacional disciplinar decidiu que Julius Malema faça um pedido de desculpas públicas ao presidente do ANC, ao próprio ANC e ao público em geral” – refere o comunicado.

 Também foi sentenciado a pagar uma multa de 10.000 randes a um projecto de desenvolvimento juvenil, bem com o a assistir a aulas de gestão de raiva. Será suspenso do ANC se prevaricar novamente no espaço de dois anos.
 A decisão do comité nacional disciplinar poderá inicialmente  prejudicar a sua imagem mas mantem o presidente da Liga Jovem do ANC no coração da política sul-africana. Os comentários inflamatórios de Malema enervaram investidores estrangeiros e muitos brancos sul-africanos. Julius Malema não tem um papel político decisório mas tornou-se proeminente através da sua retórica racial.

 O líder da Liga da Juventude do ANC goza de um considerável suporte das bases jovens e entre alguns sul-africanos de raça negra que sentem que o fim do apartheid deveria ter beneficiado mais e melhor as populações.
 A exigência de Malema para nacionalizar as minas atingiu investidores, tendo o Governo da RSA de garantir que essa opção não está na agenda política do executivo, e os críticos re-ceiam ainda que as tiradas de violência racial aprofundem as tensões num país dividido pela cor da pele.
 Regista-se que Malema foi admoestado publicamente pelo presidente Jacob Zuma por apoiar a política controversa da reforma da terra implementada pelo presidente zimbabweano Robert Mugabe, efectivamente sabotando o papel de mediador confiado pela SADC/Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral para resolver as diferenças entre Mugabe e a Zanu-FP e o primeiro ministro Morgan Tsvangirai do MDC.

 Zuma também criticou Malema por ter expulso um jornalista da televisão BBC durante uma conferência de imprensa convocada pela Liga da Juventude do ANC na Luthuli House, sede nacional do partido no poder.

 Malema, no seu pedido de desculpas em público,  re-feriu que a sua atitude diminuiu a estatura do presidente e criou divisões no seio do ANC.
 “Faço este pedido de desculpas incondicionalmente porque aceito que num líder do ANC e da Liga da Juventude do ANC, a minha conduta e declarações públicas deverão em todas as situações reflectir respeito e contenção” – disse num comunicado.

AUDIÇÃO DISCIPLINAR PROLONGOU-SE POR 7 HORAS

 A audição disciplinar de Malema decorreu durante sete horas, tendo sido retiradas três acusações: ter insultado o jornalista da BBC, Jonah Fisher (chamou-lhe “bastardo” e “agente sangrento”); a sua expressão de apoio à Zanu-PF de Mugabe ignorando totalmente o MDC/Movimento para a Mudança Democrática; e a sua continuada insistência em cantar “Shoot the Boer” – matem o boer (farmeiro branco) – numa canção da luta anti-apartheid que inclui as palavras Dubul’ iBhunu (liquidar o branco).

 A retirada das três acusações contra o líder do ANCYL é considerada uma sangria ao secretário-geral do ANC, o comunista Gwede Mantashe.
 Malema também foi criticado por ter comparado a conduta de Zuma ao antigo presidente Thabo Mbeki, que “nunca lidou com os assuntos da Liga da Juventude do ANC fora das estruturas internas”.

 O comité disciplinar nacional foi chefiado pelo vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Derek Hanekom,  e incluiu o conselheiro de assuntos parlamentares do presidente Zuma, Ayanda Dlodlo, e o chefe da Luthuli House, Febe Potgieter-Gqubule, que consideraram que “Malema agiu contra o partido”.
 Os apoiantes de Julius Malema já afirmaram que a condenação do seu líder da Juventude representará a queda de Mantashe.