Analistas e governo de Moçambique divergem nas previsões económicas para 2015

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Analistas e governo de Moçambique divergem nas previsões económicas para 2015

As previsões macroeconómicas do governo de Moçambique para 2015 diferem, à excepção da rubrica da inflação, das apresentadas por dois dos principais analistas económicos independentes, que acompanham com regularidade os desenvolvimentos da economia moçambicana.

 Das várias previsões macroeconómicas avançadas durante o mês de Abril pela Economist Intelligence Unit (EIU) e pelo Standard Bank Moçambique (SBM), que divulgam mensalmente um boletim económico sobre o país, apenas a da inflação média anual corresponde à meta de 5,1% fixada no Orçamento Geral do Estado (OGE), que foi aprovado na generalidade pelo parlamento moçambicano.

 Considerando a taxa de inflação de 2,3% registada em 2014 e atendendo à tendência de preços baixos dos combustíveis nos mercados internacionais, a EIU arrisca, de resto, uma taxa de 3,7%, que justifica com factores internos, como o possível aumento dos tarifários de energia e a depreciação do metical.

 Menos optimistas do que as autoridades moçambicanas, que estimam um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5%, os analistas da EIU antecipam uma expansão do PIB de 7,2%, enquanto o Standard Bank apresenta o cenário mais pessimista, fixando em 6,5% a taxa de crescimento económico.

 Por outro lado, o executivo revela-se mais conservador na meta para as reservas internacionais líquidas, que fixa em 2491 milhões de dólares, ao passo que a EIU eleva este montante para 2640 milhões de dólares e o SBM para 3623 milhões de dólares.

 Também no valor global das exportações o governo de Moçambique apresenta a meta mais baixa, em torno de 4188 milhões de dólares, enquanto a EIU espera que atinja o montante de 4306 milhões de dólares, sendo a previsão do boletim económico do Standard Bank a mais optimista: mais de 5,9 mil milhões de dólares.

 Sobre o défice orçamental, que os economistas do SBM não apresentam uma previsão, a EIU é também mais optimista (8,2% do PIB) do que o governo, que antecipa um défice de 11,1% do PIB.

 Relativamente ao défice da conta corrente, sobre o qual ainda não se conhece a previsão do executivo moçambicano, de salientar a variação de 16 pontos percentuais entre as previsões do Standard Bank (47,50% do PIB) e da EIU (31,50%).