Amplo consenso na Europa sobre necessidade de crescimento e consolidação orçamental

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Amplo consenso na Europa sobre necessidade de crescimento e consolidação orçamental

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, realçou na quinta-feira o "amplo consenso" dos Estados-membros da União Europeia sobre a necessidade de aliar à consolidação orçamental medidas de crescimento económico que potenciem a criação de emprego.

 "Estabilidade e crescimento não devem ser vistos como escolhas. Precisamos de ambos. Houve um amplo consenso sobre isso", disse Barroso em Bruxelas, em conferência de imprensa no final de um encontro informal entre os líderes europeus dedicado à promoção do crescimento económico.
 O presidente do executivo comunitário admitiu a necessidade de aliar à consolidação orçamental dos Estados-membros uma série de reformas estruturais que reforcem a competitividade e direccionem o investimento para a criação de emprego.
 O presidente da Comissão Europeia anunciou aos líderes europeus que já foram afectados 7.300 milhões de euros graças aos esforços das equipas de trabalho para combater o desemprego jovem, incluindo 330 milhões em Portugal.
 Durão Barroso apresentou, durante a reunião informal de chefes de Estado e de Governo da UE dedicada ao crescimento e emprego, os resultados provisórios (até à data de 21 de maio) da acção-piloto que lançou em janeiro passado para ajudar os oito Estados-membros com maiores taxas de desemprego juvenil, afirmando que já foi possível reafectar verbas “consideráveis”.
 De acordo com um documento elaborado pelo executivo comunitário, já foram identificados cerca de 7,3 mil milhões de euros de financiamento da UE para "aceleração da execução ou reafectação" através desta iniciativa, que poderá beneficiar mais de 460.000 jovens e 56.000 pequenas e médias empresas (PME) no conjunto dos oito países.
 Relativamente a Portugal, aponta o documento, encontravam-se por afectar em finais de 2011 cerca de 3.000 milhões de euros de fundos da UE, tendo sido já afectados para esta operação específica de combate ao desemprego jovem, graças aos esforços das equipas de trabalho, 330 milhões de euros, estando a decisão todavia ainda pendente.

* Líderes da UE querem que Grécia fique na Zona Euro

 O presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, disse que os líderes europeus querem que a Grécia permaneça na Zona Euro, mas acrescentou que os dirigentes do país têm de cumprir as promessas de reformas.
 “Queremos que a Grécia permaneça na Zona Euro e respeite os seus compromissos”, afirmou Van Rompuy depois de acabar uma cimeira de líderes europeus ensombrada pelo receio de que o país, a braços com o problema da dívida pública, possa sair do conjunto de 17 Estados que integram a união monetária.
 Na mesma cimeira, o presidente francês, François Hollande, reclamou a inscrição das euro-obrigações na ordem de trabalhos da cimeira prevista para o fim de junho, na “perspectiva” de “uma etapa suplementar da integração” europeia.

* Portugal defendeu em Bruxelas que “eurobonds” não são resposta para situação actual

 O primeiro-ministro português indicou que a questão das euro-obrigações foi discutida na reunião informal de Bruxelas apenas numa perspectiva de longo prazo, tendo Portugal defendido que a emissão conjunta de obrigações europeias “não é resposta para a situação actual”.
 Falando no final de uma reunião informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia dedicada a debater formas de promover o crescimento económico e o emprego, Passos Coelho apontou que a maioria dos países considera que a ideia dos “eurobonds” não é exequível no imediato.
 Isto porque consideram, tal como Portugal, que tal só é possível no quadro de uma maior integração financeira, económica e política, que ainda não se verifica.
 “Eu defendi o que tenho defendido em público: creio que as ‘eurobonds’ não são uma resposta para a situação actual”, disse Passos Coelho, acrescentando que o Governo não tem uma posição de princípio contra a ideia, mas considera que “não se apresenta hoje como uma solução” para os problemas com que a Europa, e em particular a Zona Euro, se confrontam.

* BCE garante que continuará a fazer “tudo o que for necessário” para a estabilidade da Zona Euro

 O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, assegurou que a instituição continuará a fazer "tudo o que for necessário" para salvaguardar a estabilidade da Zona Euro e não deu qualquer indicação sobre uma possível actuação nos mercados.
 No final da cimeira informal de quarta-feira, que reuniu os líderes europeus em Bruxelas, Mario Draghi disse que o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a necessidade de "mais liquidez", mas sem dirigir-se especificamente ao BCE.
 "Foi apenas uma declaração geral sobre a situação actual", disse o dirigente aos jornalistas, ao sublinhar que a liquidez que Espanha procura "poderá provir de outras fontes também, não só do BCE".
 Draghi sublinhou que a maioria dos líderes europeus "defendeu a independência do BCE" e destacou a importância de se "manter a credibilidade desta instituição", uma mensagem que foi apoiada "por todos" os países.
 Esta independência está estabelecida nos tratados e "é positiva para os membros da Zona Euro", frisou.
 No final da reunião, Mariano Rajoy também realçou a independência do Banco Central, mas considerou ser "capital" que intervenha para apoiar os países em apuros.

* Economia inglesa entrou em recessão

 A economia britânica encolheu 0,3 por cento no primeiro trimestre do ano, mais do que os 0,2 por cento inicialmente estimados, informou o instituto de estatísticas britânico.
 A revisão em baixa, explicou, deveu-se a uma contração superior ao previsto no sector da construção de 4,8 por cento, contra a estimativa inicial de três por cento.
 Estes números confirmam a situação de recessão técnica no Reino Unido, devido à contração de 0,3 por cento no último trimestre de 2011, e agravam também os receios que a produtividade não recupere no segundo trimestre.
 A OCDE manteve na terça-feira as estimativas de crescimento da economia britânico em 0,5 por cento para 2012, que coincidem com as da Comissão Europeia, mas são menos optimistas que as do governo britânico, que em março reviu o valor de 0,7 para 0,8 por cento.