Alunos de português nos países anglófonos da África Austral aumentaram 12 por cento

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Alunos de português nos países anglófonos da África Austral aumentaram 12 por cento

O número de alunos de português nos países anglófonos da África Austral aumentou 12 por cento nos últimos três anos, abrangendo agora 5.225 estudantes, indiciou na quarta-feira em Maputo o coordenador do Ensino de Português na África do Sul, Suazilândia, Zimbabwé e Namíbia, dr. Rui de Azevedo.

 Falando numa conferência na Universidade Pedagógica em Maputo, sobre o en-sino de português nos países anglófonos da África Austral, o chefe do Departamento de Português do Instituto Camões de Pretória, Rui de Azevedo, afirmou que “3.500 alunos estão matriculados na África do Sul, 1.339 na Suazilândia, 643 na Namíbia e 227 no Zimbabwé”.
 Em declarações à Lusa, à margem da conferência,  Rui de Azevedo disse que o grupo de aprendizes de português nos países da África Austral é constituído por “luso-descendentes e filhos de luso-falantes de Angola e Moçambique e também por pessoas e filhos de pessoas sem qualquer ligação histórica” com a língua portuguesa.
 “Os luso-descendentes e luso-falantes escolhem a língua portuguesa como língua estrangeira de opção curricular para os seus filhos, para que estes mantenham o laço com a língua, enquanto os que não têm nenhuma ligação histórica fazem-no pelas oportunidades económicas que o conhecimento da língua portuguesa abre em Angola e Moçambique”, explicou o dr. Rui de Azevedo.
 Nesse sentido, considerou o chefe do Departamento de Português do Instituto Camões, “o ensino de português na África Austral tem futuro porque Moçam-bique vai impor-se como destino importante de in-vestimentos e negócios pelo desenvolvimento que está a conhecer na indústria dos recursos minerais e pela importância estratégia de Angola na economia e comércio regional. A língua portuguesa deve ser vista como um dos veículos de integração económica da África Austral, porque há dois actores de peso na economia regional que falam português, que são Angola e Moçambique”.
 Para manter a viabilidade do ensino de português na África Austral face à crise que Portugal atravessa, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua aposta na formação de professores locais e no pagamento de matrículas por parte de alunos que estudam a língua fora dos programas curriculares, nomeadamente os que aprendem a língua para negócios”.
 Enfatisou ainda que “o actual modelo de ensino de português não é viável, porque a crise está aí, teremos de experimentar o pagamento das aulas em regime não integrado no currículo escolar e apostar na formação de professores locais”.

* PS quer ouvir secretário de Estado sobre ensino do português no estrangeiro

  O Partido Socialista pediu na quarta-feira, em Lisboa, a presença do secretário de Estado das Comunidades na Assembleia da República para explicar a situação do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE), quando se prevê uma redução de 9.000 alunos inscritos.
 Num requerimento assinado pelos deputados Maria de Belém Roseira e Paulo Pisco, o grupo parlamentar do PS requer a presença de José Cesário na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas para prestar “esclarecimentos sobre a situação actual e perspectivas futuras” do EPE.
 Os parlamentares justificam o requerimento com “a evolução negativa que se tem verificado” no sector e com o receio de uma redução do número de alunos inscritos nos cursos paralelos – que não estão integrados nos sistemas de ensino locais – após a adopção de novas regras de pré-inscrição e a imposição de uma propina anual de 120 euros.
 Segundo os deputados, confirmam-se agora “os piores cenários com uma redução de cerca de 9.000 alunos inscritos relativamente ao ano letivo anterior”.
 O Governo decidiu este ano que os alunos do pré-escolar, básico e secundário que queiram frequentar aulas de português no estrangeiro no próximo ano lectivo têm que fazer uma pré-inscrição ‘online’ e pagar uma propina de 120 euros anuais.
 Na Europa, o período de inscrição decorreu entre 30 de Março e 27 de Abril, tendo-se registado ‘online’ 25.966 alunos, segundo dados oficiais.
 Com as inscrições em papel ainda por introduzir, o Governo estima que o nú-mero final ultrapasse os 26 mil alunos, menos 9.000 do que os 35 mil alunos que compunham o universo a que se dirigia esta inscrição.
  Em declarações à Lusa na véspera do fim do prazo, o secretário de Estado, José Cesário, estimou que, incluindo os alunos do sistema integrado, no próximo ano lectivo deverão frequentar os cursos de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) cerca de 50 mil alunos contra os 56 mil do actual ano escolar.
 José Cesário ressalvou, no entanto, que se trata apenas de uma estimativa, faltando o apuramento final dos números.
 “Não vamos perder muito em relação ao ano anterior”, sublinhou, adiantando que no próximo ano a rede será alargada a locais onde actualmente não existe.
 O secretário de Estado das Comunidades, que tutela o ensino no estrangeiro através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, explicou que depois de apurados os números das inscrições serão feitos “ajustamentos aos horários já existentes em função das necessidades”.
 “Logo de seguida abriremos o processo de pagamento para o próximo ano”, disse.