Alfredo Lima tem-se revelado um exemplo de dedicação ao folklore

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Alfredo Lima

Alfredo LimaÉ sempre com alegria que vemos nascer na comunidade qualquer agrupamento que tenha por missão divulgar a cultura popular portuguesa, e motivo para lamento com alguma tristeza, quando alguns dos mesmos tenham de ficar pelo caminho, na maioria dos casos cremos nós, contra a própria vontade dos seus responsáveis.

 Sabemos das dificuldades e dores de cabeça que passam as pessoas com responsabilidades em organização, se entregam de alma e coração a esta actividade, muitas vezes não obstante os prejuízos e inconvenientes de vária ordem que isso lhes acarreta, e na maioria dos casos ainda são por sinal mal compreendidos e criticados, daí o respeito que nos merecem esses sacrificados, que para além dos aborrecimentos e como recompensa a ingratidão, dão desinteressadamente o seu melhor a favor da nobre causa de transmitir às novas gerações o esplendor das tradições do nosso povo.
 Só quem de perto acompanha essas andanças, ou nelas está directamente envolvido, saberá compreender o sentido e a razão das nossas palavras, certamente por já terem passado por esses problemas, porque infelizmente são sempre eles os mais visados pelos que no intuito de destruir se infiltram na maioria dos nossos ranchos, para não dizer na generalidade, e têm estado na base da desintegração dos que não resistindo a essas pressões ficaram pelo caminho.

 As pessoas responsáveis pela vida dos ranchos vão ouvindo aqui e ali, por vezes directamente, coisas de que injustamente são acusados e não mereciam, e só a grande força de vontade, paixão e amor à causa, lhes dão alento para ir continuando e evitar o desânimo, só que como em todas as coisas a paciência tem o seu limite, o folclore não foge à regra, como disso é prova a paralisação dos agrupamentos que devido a essas ingratidões se viram obrigados a optar, sabe-se lá com que mágoa, por essa medida.

 É pena que tudo isto vá acontecendo e será difícil pôr termo, porque enquanto as pessoas para quem as virtudes não contam, e se preocupam apenas em apontar defeitos ao semelhante, antes de se verem ao espelho, contribuindo desta forma para a malvada desestabilização, que corrói qualquer estrutura por mais forte que seja, continuaremos a assistir a estas lamentáveis desistências e prejudicada a nossa juventude que, aborrecida, se afasta, e com isso prejudicadas as nossas tradições, que não têm a mínima culpa das situações que se vão criando com ditos e mexericos.
 Sem desprimor para os restantes que teimam em dar continuidade à nossa cultura popular, todos nos merecendo respeito e ad-miração, um dos grandes entusiastas do nosso folclore na actualidade é sem dúvida Alfredo Lima, que não obstante a idade já começar a pesar, não se cansa de por onde o seu Tro-yeville/Núcleo de Arte e Cultura passa em actuações, de apelar em palco à nossa juventude para que participe no folclore, integrando os nossos ranchos, sob pena de como vem re-ferindo, dos dezasseis agrupamentos da comunidade que já existiram nes-te país de acolhimento, es-tão apenas quatro ou cinco em actividade, sendo pena que não haja mais jovens a interessar-se pela nossa cultura, e se como em jeito de apelo dramático, – é assim que nós o interpretamos -, nada for feito a encorajá-los, corremos o ris-co de perder o pouco que ainda nos resta.

Além de componente na tocata, do agrupamento proveniente da fusão entre o Porto de Troyeville e o Núcleo de Arte e Cultura, de Joanesburgo, Alfredo Lima vive como poucos o nosso folclore, ama a nossa cultura, adora ver mantida e divulgada a cultura do nosso povo, é o sangue que lhe corre nas veias que a isso o obriga, são os trajes tradicionais e as vibrantes danças relegados pelos nossos antepassados, são os costumes e o sapatear em tantas regiões de Portugal, é a riqueza desta arte, o garrido no vestir do feminino através dos anos, são os viras e chulas picadas minhotas, os fandangos ribatejanos, os típicos coros alenteja-nos, os corridinhos algarvios, os bailinhos madeiren-ses as chamarritas açorianas, e no fundo o bichinho a morder, que o fazem implorar às pessoas a aderirem e apoiarem o nosso folclore considerado entre os demais de rara beleza.

 Certamente que não será por ele que o folclore poderá ter os seus dias contados nas nossas comunidades da África do Sul, an-tes pelo contrário, se tal vier a acontecer nos seus dias, será isso sim para si de profunda mágoa, tristeza e inconformismo, se bem que todos nós sabemos onde está a origem desse mal que infelizmente tende a agravar e parece não ter cura, e assenta es-sencialmente no desinte-resse dos nossos jovens, que hoje e salvo ainda al-gumas excepções, procuram frequentar outros meios onde encontram ou-tros divertimentos e facilidades que o mundo moderno lhes oferece, e para esses as nossas colectividades, as nossas raízes e a própria língua lusíada já pouco ou nada lhes diz, o que é pena.

 Seria de todo o interesse conservar a todo o custo aqueles que através do desporto, ou qualquer outro pretexto ainda vão apa-recendo e participando nas actividades que os nossos clubes vão promovendo, e acarinhados por aqueles que como Alfredo Lima o bichinho do nosso folclore lhes morde, poderá ser que se venham a entusiasmar, ganhem gosto e co-ragem, e sejam possíveis componentes dos nossos ranchos no futuro, apetecendo perguntar a esse respeito:

 Por onde andará essa juventude que integrava os nossos agrupamentos juvenis, que não resistindo a contrariedades ficaram pelo caminho?
 Que saudades todos devem ter, por exemplo e para não falar de outros, do denominado “Portugal dos Pequeninos”. Que beleza, que maravilha. Como foi possível a paralisação dessa miudagem, em que era depositada tanta esperança na divulgação das raízes do nosso povo?