Albuquerque deixou Câmara do Funchal em situação financeira débil e complexa

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Albuquerque deixou Câmara do Funchal em situação financeira débil e complexa

A Câmara do Funchal aprovou o relatório de contas e gestão de 2013, que, segundo o presidente da autarquia, eleito em setembro, mostra uma situação financeira “débil e complexa” e o “embuste político” do anterior executivo.

 “Temos um passado que herdámos maquilhado, um autêntico embuste político, que constrange os nosso passos no futuro”, disse Paulo Cafôfo em conferência de imprensa, acompanhado por todos os vereadores da coligação Mu-dança (PS/BE/PND/MPT/ PTP/PAN), após a reunião semanal do executivo.

 O responsável referiu que este relatório, elaborado pela coligação eleita nas autárquicas de setembro de 2013, foi aprovado com os votos dos vereadores da Mudança e do PSD e as abstenções do CDS e da CDU.

 “Hoje, pela primeira vez em muitos anos, ficaram a nu algumas situações relativamente à gestão da anterior câmara, liderada por Miguel Albuquerque [PSD]”, apontou o autarca do Funchal, considerando que o levantamento espelha “a situação financeira de uma forma real e verdadeira, muito débil e complexa, que reflecte erros do passado da anterior vereação”.

 Segundo Paulo Cafôfo, o relatório evidencia “manipulação contabilística, de empolamento orçamental”, e “contas maquilhadas”.

 No seu entender, os dados demonstram “uma gestão pouco profissional, procedimentos administrativos muito burocráticos e uma falta de contabilidade de custos nos diversos serviços”, salientando que existia “o objetivo claro de manipular o resultado líquido final”.

 O responsável da principal câmara da Madeira mencionou que em 2013 a autarquia apresenta um resultado líquido negativo de sete milhões de euros e custos totais de exercício um com aumento de 9,1 milhões de euros.

 “E se retirarmos efeito do Programa de Apoio à Economia Local [PAEL], a execução do plano plurianual de investimentos seria de apenas 50%”, frisou.

 Paulo Cafôfo destacou que as despesas correntes aumentaram 20%, cerca de nove milhões de euros, e que a câmara tem um excesso de endividamento a médio e a longo prazo de 12,7 milhões de euros, estando também longe de conseguir cumprir os prazos de pagamento previsto no PAEL, de 180 dias.

 O responsável realçou que o empréstimo ao abrigo deste programa lançado pelo Governo, na ordem dos 28,4 milhões, representa um encargo anual de três milhões.

 “A Câmara do Funchal, durante 2012 e 2013, não pagou a nenhum dos grandes fornecedores [20 milhões de euros no total]. Não pode uma câmara que se dizia financeiramente saudável” neste cenário, sustentou.

 Paulo Cafôfo afirmou que a situação é “complexa”, representando constrangimentos e pouca margem para investimento, mas assegurou que a vereação vai honrar todos os compromissos assumidos e adotar uma postura de “responsabilidade, rigor e transparência das contas”.