Agrupamento português “A NAIFA” Actua na ACP de Pretória

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A NAIFA

A NAIFAO agrupamento músical português “ A NAIFA”  vai actuar pela primeira vez na África do Sul, no próximo domingo, dia 8, na Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória a convite da Embaixada de Portugal na África do Sul.

Nesta digressão pelo continente africano “A NAIFA”, esteve presente no passado dia 27 de Abril em Gaborone no Botswana no Festival Musical de Maitsong.
 No dia 6 de Maio, antes de viajarem para Pretória, o agrupamento português vai actuar no Teatro Municipal de Windhoek, na Namíbia, onde também vive uma comuni-dade portuguesa, radicada há longa data nesse país.

 No domingo vão apresentar-se ao público da capital, actuando na Associção da Comunidade de Pretória
  O projecto “A NAIFA” nasceu em 2004, através da união de esforços de João Aguardela e Luís Varatojo. Em cinco anos de existência, editou três discos de autores originais e realizou mais de cem espectáculos dentro e fora de Portugal.
 O agrupamento teve uma boa aceitação do público e de espectáculo para espectáculo foi crescendo a sua popularidade, não só entre as camadas jóvens bem como entre outos grupos etários que aderiram ao seu novo estilo, às suas canções e especialmente à “nova roupagem” que deram à canção nacional – O Fado.

 Tivémos a oportunidade de entrevistar os elementos do conjunto, momentos antes de deixarem Lisboa, com destino a esta digressão por África,
 Começámos por ouvir Luís Varatojo, que toca guitarra portuguesa e que na compa-nhia do saudoso João Aguardela (falecido a 20 de Janeiro de 2009) fundou o agrupamento “A NAIFA”.

 Luís Varatojo, visivelmente emocionado começou por nos dizer, quando lhe perguntamos como se sentia por ser um dos fundadores da banda
 “Sinto a responsabilidade de continuar a prosseguir os objectivos iniciais, criar música que surpreenda o nosso público, que não se limite a repetir o que já foi feito no passado.”

 A morte prematura do João Aguardela foi dolorosa para todos…como descreve esse ano de luto e silêncio ?
 “Foi um ano muito difícil. De início não sabia se a banda devia continuar ou, se pelo contrário, devia encerrar a actividade.
 Trabalhei com o João durante 10 anos e ficar sem ele de repente foi como ficar sozinho na música, sem saber bem o que fazer.
 Nos primeiros meses não consegui produzir mas com o tempo veio a serenidade e a capacidade de voltar a tomar decisões.”
 E como analisa que as letras das canções, principalmente as do terceiro dis-co que eram de sua autoria?
 “Essa faceta de criação lite-rária do João só se revelou no terceiro disco, os dois primeiros são feitos com um conjunto de poemas de vários poetas portugueses contemporâneos.

 O João escreveu um conjunto de textos para o terceiro álbum sob pseudónimo e manteve o segredo; dizia que as letras eram de uma poetisa que tinha conhecido num concerto.
 Só na fase final do trabalho me apercebi que podiam ser de sua autoria. Acho que criou um universo muito próprio e que se tivesse vivido mais tempo de certeza que teria sido um grande escritor.”

 E o vosso trabalho, as vossas canções?
 “O trabalho do grupo é marcado pela criação de um repertório totalmente original, onde as canções, escritas a partir de textos de novos poetas portugueses, e compostas com base em referências da música de raiz portuguesa, lhe conferem uma forte identidade e uma presença ímpar no meio artístico nacional.
 Também recorremos ao trabalho de poetas contemporâneos, tais como Adília Lopes, José Luís Peixoto, José Mi-guel Silva e Tiago Gomes, para dar corpo à sua música”

  A aceitação do vosso agrupamento “A NAIFA” duran-te as vossas actuações pelo grande público?
  “As pessoas sentem o seu dia a dia, a sua vida, nas letras d’A Naifa. A parte musical também é bastante importante para esta relação, as pessoas sentem uma certa familiaridade com os sons que ouvem, uma certa ligação à tradição musical portuguesa, mas também alguma surpresa com a mistura que nós fazemos.Os nossos espetáculos são muito emotivos, geram sempre uma empatia com o público que é muito difícil de descrever, parece que há uma identificação muito profunda com aquilo que a banda representa para eles”
 Como analisa esta digressão, a vossa primeira actuação em África, a come-çar no Botswana, depois a Namíbia e por último a África do Sul, mais precisamente Pretória?

 “Esta digressão foi a coisa mais imprevisível que nos aconteceu, nunca me tinha passado pela cabeça tocar no Botswana ou na Namíbia. A África do Sul é diferente por-que existe uma grande comunidade portuguesa, logo seria lógico, mais tarde ou mais cedo, fazer aí alguns concertos.”
 Uma mensagem aos portugueses que  residem no país…
 “Gostava que os portugueses residentes no estrangeiro, e em particular na África do Sul, mantivessem uma ligação forte à Pátria; que acompanhassem o desenvolvimento da nossa cultura, ouvissem a nossa música, lessem os nossos escritores, promovessem a nossa língua. Em resumo, que fossem uma poderosa embaixada de Portugal no Mundo.”

 Sandra Baptista é a nova viola-baixo do conjunto. Foi companheira do saudoso Jo-ão Aguardela.
 Sandra como se sente in-tegrada no grupo e a substituir o João?
 “Ao ter aceite o convite para o espectáculo de homenagem a João Aguardela, senti-me honrada e privilegiada e, a continuidade foi natural.
 Para o publico era também muito importante a continuação do nosso projecto, não podia ter melhor aceitação.
 A minha integração neste projecto foi gradual, mas sempre sentí uma necessidade muito grande que este grupo de amigos e companheiros queriam estar juntos. Devo confessar que me sinto totalmente integrada e feliz por fazer parte do “A NAIFA.”

 O baterista do grupo chama-se Samuel Palitos. Já há al-guns anos tinha sido convidado a integrar “A NAIFA”. Por motivos vários não o fez. No entanto acabou por se decidir.
 Há quanto tempo se encontra integrado na Banda?
 “Mais precisamente há um ano, apesar de ter sido sondado anteriormente para o fazer”
 Acha que o Fado com este ritmo vai tornar-se mais conhecido além fronteiras?
 “Sim, proválvelmente, visto que a música d´A Naifa ter uma abordagem diferente do que é o Fado tradicional, deixando assim outros caminhos em aberto para a divulgação da Cultura Portuguesa.”

 Por último quisemos ouvir a artista que dá expressão e a voz ao agrupamento “A NAIFA”.
 Maria Antonia Mendes é a vocalista do conjunto e começou por nos dizer:
 “É uma honra pertencer a este conjunto e dar voz, expressão às nossas canções.
 É uma nova maneira de expandir a nossa cultura e de conquistar mais público.

 A nossa expressão do Fado foge ao que é habitual.
Temos os nossos seguidores.
 A morte do João afectou-nos bastante, mas a força de vontade do Luís Varatojo e do Grupo deu continuação a este sonho. Sinto-me feliz aliás todos nos sentimos orgu-lhosos por continuar.

 Graças ao espectáculo de homenagem ao João Aguardela decidimos continuar o nosso projecto e aquí estamos nesta digressão.
Será um prazer cantar na Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória para os portugueses  radicados na cidade de Pretória. Estamos esperançados que venham de outras cidades também.
 Tenho a certeza que irão apreciar o nosso estilo.”