Agricultura comercial ganha ímpeto em Moçambique

0
11
Agricultura comercial ganha ímpeto em Moçambique

A agricultura comercial está a “ganhar ímpeto” em Moçambique, devido a vários projectos privados agrícolas e pecuários de grande dimensão, que estão a permitir ao país aproveitar finalmente o potencial naquele sector da actividade económica, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU).

 “A agricultura comercial em Moçambique, que tem recebido menos investimento do que outros sectores de capital intensivo, está em expansão e o forte potencial agrícola do país está a ser desenvolvido”, escreve a EIU no seu mais recente relatório sobre Moçam-bique.
 O relatório aponta em particular os projectos da multinacional Agriterra, cotada na Bolsa de Valores de Londres, como um sinal da expansão da actividade em Moçambique.
 Uma das empresas daquele sociedade gestora de participações sociais é a Mozbife, “das mais promissoras empresas de agricultura comercial” no país, que tem vindo a anunciar contínuos avanços nas suas operações em Moçambique, refere a EIU.
 Esta empresa está a construir uma exploração pecuária de grandes dimensões na província de Manica, com 10 mil cabeças de gado e um matadouro na capital provincial, Chimoio, que deverá entrar em funcionamento no terceiro tri-mestre de 2012.
 A empresa tem uma licença de exploração de terrenos com a duração de 50 anos, e procura tirar partido do crescente consumo de carnes em Moçambique, mercado em que os produtos sul-africanos têm uma posição dominante há muitos anos.

 A Agriterra está também envolvida no cultivo de milho, através da empresa Desenvolvimento e Comercialização Agrícola (DECA).
 Dados do mais recente censo agrícola em Moçambique, feito pelo Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique, apontam que em 2009-2010 a área total cultivada era 47% superior ao registado uma dé-cada antes, um ritmo de crescimento quase duas vezes superior ao da população.
 O número total de explorações agrícolas cresceu menos do que a área cultivada, 25%, mostrando um aumento no tamanho mais do que no número de unidades produtivas.
 Apesar do crescimento, Moçambique ainda mantém um grande excedente de terras, estando apenas em uso 15,6% dos terrenos potencialmente cultiváveis.
 Na base desta falta de aproveitamento, está sobretudo a inexistência de infra-estruturas associadas à agricultura, como estradas, irrigação e unidades de armazenagem.
 Outro obstáculo tem sido o sistema moçambicano de arrendamento aos agricultores de terras detidas pelo Estado, que os impede de usar este activo como garantia para obter financiamento bancário.
 A agricultura foi definida no último Orçamento de Estado moçambicano como um sector prioritário, estando-lhe destinados 11,6% do total de despesas em 2012.
O governo de Moçambique prevê investir, nos próximos dez anos, cerca de 540 milhões de dólares na irrigação, como forma de impulsionar a produção e a produtividade agrícolas no país.
 Para aumentar a auto-suficiência agrícola do país e as receitas dos agricultores, estimulando a produção de excedentes, o governo conta com parceiros como a China, Brasil e União Europeia.