Agricultores sul-africanos estão cépticos sobre a reforma no sector

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O sindicato de agricultores TAU SA advertiu que os agricultores comerciais estão cépticos em relação às recentes declarações do Presidente Cyril Ramaphosa e de certas organizações agrícolas e que não vão ficar de “braços cruzados” sobre reforma no sector.

 Em comunicado divulgado na quinta-feira, Johan Steyn, presidente do TAU-SA (Transvaal Agricultural Union South Africa, em inglês), no Cabo Oriental, afirma que “essas declarações são directamente contraditórias à política do ANC (Congresso Nacional Africano), conforme descreve o seu documento da Revolução Nacional-Democrática”.

 “Inexplicavelmente, parece haver muito optimismo em relação a essas reuniões (às quais o representante agrícola TAU-SA não foi convidado) e às declarações descaradamente pacificadoras divulgadas desde então”, afirma Steyn sem especificar as organizações do sector.

 “O que foi discutido, e as declarações subsequentes, certamente não reflectem o sentimento da maioria dos agricultores que consideram que essas declarações foram puramente destinadas a acalmar águas muito problemáticas em relação ao objectivo claramente declarado pelo Governo de roubar propriedade legítima. É uma cortina de fumo, na melhor das hipóteses”, adianta.

 No comunicado, Johan Steyn critica o partido governante de “ofuscar” o debate sobre a reforma agrária.

 “Esta ofuscação é historicamente uma táctica comum usada pelo ANC. Os objectivos radicais são divulgados para avaliar a reacção [da sociedade]. Dependendo dessa reacção, a declaração é diluída, apenas para forçar a sua submissão em um estágio posterior”, refere.

 O dirigente agrícola afirma depois que “a forte resistência que o ANC encontrou em relação ao roubo de propriedade que propõem fazer, particularmente dos membros do TAU-SA, obrigou o Governo a tentar minimizar possíveis conflitos”.

 No entanto, acredita que o governo sul-africano irá manter a política do ANC que  considera ser “de inspiração comunista”.

 “Precisamos de entender que estamos envolvidos numa luta a longo prazo contra um Governo comunista que usa táticas dissimuladas e duvidosas, incluindo mentiras e deturpação, para pacificar e enganar os seus oponentes. Infelizmente, os dirigentes de algumas organizações do sector não apreenderam as lições da nossa história que tendem em repetir-se”, diz Steyn na nota.

 O dirigente agrícola sublinha que “o ANC continua a demonstrar que não está interessado em factos, razão, diálogo, nem muito menos em realidades económicas”.

 “Como se constata a norte das fronteiras da África do Sul, os governos comunistas pouco se importam com os seus cidadãos ou com o co-lapso das suas economias. O governo do Zimbabwé, por exemplo, continua a perseguir as suas políticas desastrosas, apesar de ter destruído totalmente a economia daquele país. Tudo isso à custa de seus cidadãos”, afirma Steyn.

 “Os agricultores aqui na África do Sul certamente que não vão ficar de braços cruzados enquanto a nossa economia é destruída devido ao roubo legalizado das nossas propriedades legítimas”, adverte o responsável da TAU SA.

 “O facto de um número crescente de governos estrangeiros estarem a assumir uma posição contra as políticas falhadas do ANC é prova de que o ANC não será capaz de depender de ajuda se continuarem a persistir obstinadamente na implementação dos seus planos condenados”, conclui Johan Steyn no comunicado.