Agentes económicos preocupados com a nova lei cambial moçambicana

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Agentes económicos preocupados com a nova lei cambial moçambicana

Agentes económicos preocupados com a nova lei cambial moçambicanaA nova Lei Cambial de Moçambique está a levantar preocupações junto de empresas e investidores internacionais no país, nomeadamente, no acesso a divisas estrangeiras que, neste momento, se encontra limitado.

 A Lei Cambial vigente, que entrou em vigor no dia 11 de julho, limita o levantamento de dinheiro em contas em divisas estrangeiras a um máximo de cinco mil dólares (cerca de 3.450,00 euros), havendo excepções a partir dessa quantia, que terão que ser justificadas.

 Continua a ser permitida a movimentação de contas em moeda estrangeira, estando somente condicionados os levantamentos em numerário, situação que tem levantado incómodos junto das empresas.

 “Transtorno causa sempre algum, especialmente com a entrada de dinheiro quando vendemos para fora”, disse à Lusa o director comercial das Tintas CIN Moçambique, Vítor Carneiro.

 Com a limitação ao acesso a divisas estrangeiras, o executivo moçambicano espera reduzir custos com a importação de moeda estrangeira.

 “Esta limitação visa reduzir os custos com a importação de notas em moeda estrangeira, para sustentar transações domésticas. Este limite não é novo na ordem jurídica moçambicano surge numa altura em que o Metical está a valorizar moçambicana e está alinhado com as boas práticas internacionais”, afirmou Bento Balói, do Banco de Moçambique, citado pelo jornal Canal de Moçambique.

A nova lei do governo moçambicano surge numa altura em que o Metical está a valorizar-se cada vez mais face a outras moedas estrangeiras, como o dólar e o euro, facto que se reflete nas exportações das empresas instaladas no país.

“Como temos projetos cotados em diferentes moedas, qualquer alteração cambial reflecte-se nos nossos preços. Para além disso, como exportamos, quando somos reembolsados temos diferenças nos preços”, explicou à Lusa Carlos Marques, diretor da Quidgest Software Plant, Lda.

Como consequência da limitação ao acesso a divisas estrangeiras, Carlos Marques acredita que pode, eventualmente, nascer um “mercado negro” para troca de moedas.

Para Pedro Macedo, diretor da Texto Editores, empresa do Grupo Leya, a nova lei “ é ainda muito recente” pelo que não tem ainda uma opinião formada sobre as suas consequências, temendo, no entanto, uma desvalorização da moeda moçambicana.

“Temos algum receio que a moeda desvalorize abruptamente, mas vamos esperar para ver o que acontece”, disse.