Agência canadiana melhora notação financeira de Portugal

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 A agência de notação financeira DBRS melhorou o ‘ra-ting’ atribuído a Portugal de ‘BBB (baixo)’ para ‘BBB’, com perspectiva estável, foi anunciado na sexta-feira.

 Segundo a agência canadiana, a revisão em alta reflecte o entendimento de que a sustentabilidade da dívida portuguesa melhorou, apoiada numa consolidação das finanças públicas “mais duradoura”.

 A DBRS recorda que, depois de estabilizar em torno dos 130% entre 2014 e 2016, a dívida pública em percentagem do PIB caiu para 125,7% e “projecta-se que continue a cair”.

 O primeiro-ministro congratulou-se com a decisão da agência de notação financeira DBRS de subir o ‘rating’ de Portugal, considerando ser uma “excelente notícia”, que estimula ainda mais o trabalho do actual Governo.

 

* Riscos controlados

 

 O secretário de Estado adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, disse que os riscos identificados pela agência de notação financeira DBRS são reconhecidos pelo Governo, mas estão controlados e numa trajectória de melhoria.

 “Há razões para preocupação, sendo riscos, mas os riscos estão controlados e estamos a dar uma resposta de prosseguir com finanças públicas saudáveis, crescimento económico sustentado e equilibrado, e a manutenção daquilo que são os equilíbrios macroeconómicos básicos e que também foram reconhecidos pela Comissão Europeia quando retirou Portugal do procedimento de desequilíbrios macroeconómicos excessivos”, disse Ricardo Mourinho.

 Em declarações à Lusa em Washington, à margem dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional, o secretário de Estado das Finanças reagiu à decisão da DBRS de melhorar o ‘rating’ de Portugal para dois níveis acima da recomendação de não investimento, sublinhando que “é o reafirmar da confiança na trajectória seguida, com a qual o Governo se comprometeu desde o início do mandato e que tem vindo a cumprir”.

 A DBRS, reagiu o governante, “ao nível do sistema financeiro, reconhece que há uma melhoria muito grande e uma estabilidade do sistema financeiro que não havia há dois ou três anos e que não está completa, os bancos continuam a reestruturar-se e a melhorar a

qualidade dos balanços e também de regresso aos lucros, o que já aconteceu com alguns, em particular com a CGD.

 Para o governante, “o que resulta desta melhoria é a confirmação de que a agência encontra motivos para considerar que a situação de Portugal está a melhorar”, e isso, acrescentou, “é reconhecido pelas instituições internacionais e pelos investidores”.

 A DBRS “conhece bem Portugal, acompanhou o país durante a crise e confiou na estratégia e vê essa confiança que demonstrou a dar os seus

resultados, vincou o secretário de Estado, referindo-se aos anos em que a DBRS era a única das maiores agências de ‘rating’ a dar uma avaliação a Portugal que permitia ao país beneficiar do programa de compra de dívida por parte do BCE.

 “A DBRS, tal como um conjunto de analistas, está surpreendida e satisfeita com o desempenho económico e o resultado orçamental de 2017, que superou as expectativas de analistas e agências de ‘rating’, e encontra aqui um Governo que está a implementar e a ter resultados melhores do que era antecipável”, salientou Ricardo Mourinho.

 A trajectória de descida da dívida “é sustentável, e a agência de ‘rating’ encontra no Programa de Estabilidade uma marca deste Governo, que é crescimento económico sustentável com criação de emprego e redução das desigualdades e que isso é sustentável do ponto de vista financeiro, económico e social, tendo em conta a base de apoio política consistente com a estabilidade do que é a evolução da situação em Portu-gal”, concluiu o governante.

 

* Moody’s não se pronuncia

 

 A agência de notação financeira Moody’s não se pronunciou na sexta-feira sobre o ‘rating’ atribuído a Portugal, mantendo a dívida pública portuguesa numa notação de ‘lixo’ (‘Ba1’).

 Havia a expectativa de que a Moody’s retiraria Portugal do ‘lixo’ na sexta-feira, depois de ter melhorado para positiva a perspectiva sobre a dívida pública portuguesa em setembro e de um vice-presidente da agência ter dito que a dívida pública portuguesa estaria prestes a regressar à nota de investimento.

 No entanto, a Moody’s optou na sexta-feira por não rever o ‘rating’ atribuído a Portugal, mantendo a notação ‘Ba1’, atribuída ao país desde Julho de 2014.

 Assim, a agência norte-americana continua a ser a única entre as quatro maiores a atri-buir à dívida pública portuguesa uma nota de especulação, quando já a DBRS, Fitch e Standard & Poor’s (S&P) atribuem uma nota de investimento, acima do lixo.