África terá em 2040 a maior reserva de mão de obra do mundo – secretário da CPLP

0
39
África terá em 2040 a maior reserva de mão de obra do mundo - secretário da CPLP

O secretário executivo da CPLP afirmou a semana passada que o maior investimento a fazer em África deve ser na valorização do capital humano, porque em 2040 o continente terá a maior reserva de mão de obra do mundo.

 Murade Murargy, que falava sobre o tema “África, continente em ascensão” no Estoril Political Forum, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, sublinhou que o continente africano vive hoje “um momento ímpar” de mu-dança para uma “trajectória de crescimento e desenvolvimento”.

 O diplomata moçambicano recordou que entre 2004 e 2008, as economias africanas cresceram em média 6,6% ao ano e, apesar da desaceleração provocada pela crise mundial, estima-se que o pib do continente cresça em 2013 cerca 4,8% e 5,3% em 2014.

 Apesar disso, reconheceu que os africanos ainda são vítimas da seca, da volatilidade dos preços dos alimentos, da malnutrição, da miséria e da insegurança.

 “É verdade que representamos sociedades injustas e desiguais, onde o património conjunto dos 100 mil africanos mais ricos é igual a 60% do PIB do continente”, admitiu.

 Mas afirmou que África está “no bom caminho”.

 “Hoje somos mais de 960 milhões de africanos enfrentando com relativo sucesso a luta contra a pobreza”, afirmou Murargy, recordando que a classe média africana cresceu mais 60% nos últimos 10 anos e atinge hoje 34% da população do continente, ou seja 313 milhões de consumidores.

Em termos de economia global, e para além do fornecimento de matérias-primas, “este é o primeiro resultado visível do crescimento económico sustentado de África: uma classe média ampla, de dimensão quase idêntica às da China e da Índia”, acrescentou.

 No entanto, sublinhou, “é importante que se tenha presente que o maior investimento a fazer em África deverá incidir sobretudo no capital humano”.

 “Estima-se que em 2040 África terá a maior reserva de mão de obra do planeta”, afirmou ainda, acrescentando que em 2050 uma em quatro pessoas no mundo deverá viver no continente e em 2025 a maioria estará nas cidades, perdendo o continente a sua natureza predominantemente rural.

 No seu discurso, o representante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa sublinhou ainda o potencial económico do espaço CPLP, onde há 250 milhões de pessoas que falam português, “prevendo-se que em 2050 sejam 323 milhões”.

 Defendeu também que as relações triangulares entre a América Latina, África e Europa “encerram grandes oportunidades de crescimento e desenvolvimento”.

E terminou com um apelo ao debate sobre o futuro da organização lusófona, recordando que a situação dos oito Estados-membros mudou muito desde que a CPLP foi criada, em 1996.

 “Volvidos 17 anos, a situação mudou completamente (…) A CPLP deve manter-se como era? Qual a visão?”, questionou, deixando no ar a pergunta: “Que CPLP queremos? Uma CPLP dos governos? dos Estados? Dos cidadãos? De quem?”.