África do Sul prevê exportações de 10 biliões de randes para o gás em Moçambique

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O presidente da Companhia de Seguros de Crédito à Exportação da África do Sul, Kutoane Kutoane, disse que espera apoiar a exportação de biliões de euros para o sector do gás em Moçambique.

 “O que está na mente de toda a gente é o sector do gás natural em Moçambique, e esperamos apoiar, com seguros sobre o risco comercial e político, investimentos de 20 biliões de randes [1,2 biliões de euros], o que deve permitir a exportação de cerca de 10 biliões de randes [600 milhões de euros] em bens e serviços sul-africanos que serão canalizados para Moçambique”, disse Kutoane Kutaone.

 Entrevistado pela CNBC Africa, o presidente da agência especializada em seguros de crédito à exportação vincou a importância das infraestruturas para permitir a industrialização, e salientou que o corredor de Nacala é um exemplo a seguir noutras regiões africanas.

 “Sobre o projecto de Nacala, nós apoiámos o de-senvolvimento dos portos e vamos ver mais desenvolvimentos desse género, porque a infraestrutura é chave, mas quando falamos na industrialização, convém lembrar que sem o apoio da infraestrutura necessária, não só logística, mas também física, não conseguimos avançar com a industrialização e ter resultados optimizados”, afirmou.

 Para Kutoane Kutoane, os últimos anos mostraram uma evolução do tipo de seguros feitos, que passaram do sector mineiro para as matérias primas, “e depois com a queda dos preços, o ênfase passou do sector mineiro para a geração de energia, o desenvolvimento de infraestruturas, a geração de energia, águas, portos e telecomunicações”.

 A extração de gás dos projectos do Rovuma vai funcionar ao largo da costa da província Norte de Cabo Delgado através de tubagens submarinas, sendo a liquefação feita em terra, numa fábrica em construção na nova cidade do gás, que está a ser edificada em Palma, península de Afungi, onde as petrolíferas partilharão infraestruturas.

 Aquela região no norte de Moçambique enfrenta uma onda de violência armada desde 2012, mas apesar da ameaça os investimentos têm continuado.

 Segundo a agência Lusa, os ataques já provocaram entre 350 e 400 mortos entre agressores, residentes e militares moçambicanos, além de deixar cerca de 60.000 afectados ou obrigados a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária a Moçambique das Nações Unidas.