África do Sul poderá pedir ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional

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A África do Sul poderá considerar pedir ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional se a dívida crescente do país não for controlada sem recorrer às reservas de poupança ou a novas fontes de receita tributária, disse a Comissão Nacional de Planeamento (NPC).

  A dívida está a aumentar perante um cenário de fraco crescimento económico e maior desemprego, uma diminuição da presença no mercado global e redução de in-vestimento, informou o NPC no seu boletim de Setembro, citado pela Bloomberg.

  O NPC, que elaborou o Plano Nacional de Desenvolvimento, o modelo económico do país, advertiu que o aumento da dívida também poderá reduzir a despesa pública do Governo sul-africano em projectos sociais, o que colocaria em rsico a estabilidade social na economia mais industrializada da África.

  “A má notícia é que estagnámos mais uma vez. A boa notícia é que está ao nosso alcance solucionar a situação”, afirmou a Comissão.

  “Não será possível continuar neste percurso. Precisaremos de repôr o país na trajectória de crescimento com taxas mais altas de impostos, eficiência do sector público e melhoria da prestação de serviços [públicos] por cada rande gasto do orçamento”, precisou o NPC.

  A economia sul-africana não cresceu mais do que 2% ao ano desde 2013 e entrou em recessão no segundo trimestre deste ano, pela primeira vez desde 2009.

  Dados oficiais indicam que mais de uma em cada quatro pessoas na força de trabalho está desempregada e a actual incerteza política tornou as empresas reticentes em investir em sectores industriais como a mineração.

  O Presidente Cyril Ramaphosa anunciou em Setembro um programa de reformas políticas para revitalizar a economia e criar empregos.

  Segundo a Bloomberg, antes de regressar activamente à política nacional, Ramaphosa integrou a NPC, tendo apresentado em 2011 um plano para reduzir o desemprego para 6% até 2030, com um crescimento económico de 5.4%.

  No novo relatório, citado pela Bloomberg, a Comissão Nacional de Planeamento afirma que a redução da taxa de desemprego de 27% para 21% até 2030 exigiria uma taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 3%.

  O Banco de Reserva da África do Sul (SARB), estima que provalmente a economia nacional crescerá 0.7% este ano.

  O ministério das Finanças prevê que a dívida total da África do Sul ascenda a 56.2% do PIB em 2023 e que o custo do serviço desta dívida seja a terceira maior despesa com crescimento mais rápido no orçamento de Estado.

  “A África do Sul tem um espaço limitado de manobra, tendo em consideração que o país encontra-se actualmente a atravessar um período de baixo crescimento, o que implica a colecta de menos receita [fiscal] no futuro”, refere a Comissão Nacional de Planeamento.