África do Sul em boa posição para ganhar a instalação do maior telescópio do Mundo

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África do Sul em boa posição para ganhar a instalação do maior telescópio do Mundo

O Karoo sul-africano ganha vantagem sobre a proposta conjunta da Austrália e Nova Zelândia no projecto mais ambicioso para captar vida noutros planetas. As recomendações da comissão científica do projecto são debatidas hoje, segunda-feira, em Manchester, mas a decisão final só será conhecida no dia 4 de Abril.

 Ainda não está tudo decidido, mas depois de seis anos de luta para albergar um dos mais ambiciosos projectos de astronomia da História, a África do Sul está no bom caminho para bater a Austrália e a Nova Zelândia, que uniram esforços para tentar ganhar a corrida pela construção daquele que será o maior radiotelescópio do mundo.
 Isto porque o comité científico do Square Kilometer Array (Matriz de Quilómetro Quadrado, SKA) aconselhou a instalação do radiotelescópio no ocidente da África do Sul, na zona de planícies semide-sérticas de Karoo, onde já foram construídos sete protótipos desde 2006, quando começou a corrida. “Não houve uma preferência enorme por um [sítio] ou por outro”, apontou fonte do comité à revista “Nature”, depois de o “Sydney Morning Herald” ter divulgado as recomendações confidenciais no penúltimo sábado.
 Ter o SKA em seu território poderá pôr a África do Sul no centro da investigação de vida e inteligência extraterrestre, bem como na mira do mundo científico em busca de respostas a questões primordiais sobre o universo (por exemplo, como é que as primeiras galáxias se fundiram).
 Composto por três mil pratos de satélite (ou antenas) com 15 metros de diâmetro cada, o SKA é tão sensível que conseguirá captar frequências de rádio e sinais de televisão – ou seja, de vida – em mundos a milhares de anos-luz de distância da Terra. O investimento no projecto ultrapassa os 2,5 biliões de dólares.

 A novidade em relação a outros radiotelescópios é o supercomputador que irá gerir os dados recolhidos pelas antenas. “Os dados são transportados para o SKA através de uma rede de fibra óptica a uma velocidade de 400 terabits/segundo”, explica Brian Boyle, cientista da Organização de Investigação Industrial e Científica da Commonwealth (CSIRO) e membro do projecto australiano. “É uma velocidade 100 vezes mais rápida do que o tráfego global de internet.”
 Apesar de a decisão não ser final, a Austrália tem agora poucas hipóteses de alterar a vontade do comité. Instalar o projecto em Karoo não só sai mais barato como a zona escolhida está situada a uma altitude mais elevada do que Murchison Shire, no ocidente da Austrália. A equipa científica australiana e neozelande-sa defende que a zona a norte da cidade de Geraldton está menos exposta a interferências, pela pouca actividade humana e ausência de torres de comunicações móveis por perto.
 Este será, provavelmente, um dos muitos argumentos que os dois países vão tirar da carteira hoje, dia 19, em Manchester, onde o conselho de administração do SKA se reunirá para analisar as reco-mendações do comité científico do projecto.
 No encontro à porta fechada, os cientistas de um lado e de outro poderão apresentar os seus argumentos finais, cabendo aos quatro países no conselho de administração (China, Itália, Reino Unido e Holanda) a decisão final. Esta deverá ser anunciada em Amesterdão a 4 de Abril.
 Entretanto, a 22 de Fevereiro, na apresentação do Orçamento de Estado para este ano, o ministro sul-africano das Finanças, Pravin Gordhan, anunciou no Parlamento na Cidade do Cabo que o projecto do SKA se qualificava para usufruir da isenção de VAT.