África do Sul e China pedem cooperação comercial no seio dos BRICS

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A África do Sul e a China instaram quarta-feira os governos do bloco BRICS a rejeitarem qualquer forma de proteccionismo e a promover relações comerciais multilaterais a nível global.

 “Devemos ser resolutos em rejeitar o unilateralismo”, disse o chefe de Estado chinês na abertura da 10.ª Cimeira BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], que teve lugar entre quarta e sexta-feira no Centro de Convenções de Sandton, em Joanesburgo.

 O Presidente Xi Jinping disse que “uma guerra comercial mundial deve ser rejeitada porque não haverá vencedores”.

 “O unilateralismo e o proteccionismo estão a aumentar, o que representa um golpe sério ao multilateralismo”, disse Xi Jinping, acrescentando que “a China continuará a desenvolver-se com a porta totalmente aberta [à cooperação]”.

 O chefe Estado chinês considerou que a ascensão coletiva dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento “é imparável e tornará o desenvolvimento global mais equilibrado”.

 Xi Jinping instou ainda os governos do BRICS a observar as regras internacionais.

 O líder chinês, que falava logo após o seu homólogo sul-africano e anfitrião do encontro, anunciou terça-feira, à sua chegada ao país, que a segunda maior economia do mundo vai investir 14,7 biliões de dólares na África do Sul para apoiar o desenvolvimento da economia mais industrializada de África.

 O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa sublinhou que a 10.ª Cimeira BRICS acontece “num mo-mento em que o sistema comercial multilateral enfrenta desafios sem precedentes”.

 “Estamos preocupados com o aumento de medidas unilaterais que são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio e estamos preocupados com o impacto dessas medidas, especialmente nos países em desenvolvimento”, disse o chefe de Estado sul-africano.

 “Estes desenvolvimentos exigem uma discussão aprofundada sobre o papel do comércio na promoção do desenvolvimento sustentável e crescimento inclusivo”, adiantou.

 De acordo com Rampahosa, os países do bloco BRICS são cada vez mais reconhecidos como uma formação influente no reforço dos princípios de transparência, inclusão e compatibilidade dentro do sistema multilateral de comércio.

 “Há também muito espaço para expandir o valor do co-mércio entre os países do BRICS”, referiu, acrescentando que a África do Sul “apoia uma mudança para o comércio complementar e de valor acrescentado”.

 “No âmbito da agenda comercial, precisamos de aumentar o investimento entre os países do BRICS, particularmente nos sectores produtivos da nossa economia”, disse Ramaphosa.

 O chefe de Estado sul-africano instou ainda a uma maior cooperação BRICS-África e outras plataformas multilaterais, acrescentando que “os BRICS devem promover a integração e o desenvolvimento do continente africa-no” e aproveitar o potencial de investimento que existe em África.

 “Na década passada, África cresceu a uma taxa de 2 a 3 pontos percentuais a mais do que o PIB global, com o crescimento regional previsto para se manter estável acima de 5% em 2018”, precisou.

 “Este crescimento será apoiado pelo aumento dos fluxos de investimento directo estrangeiro, investimento público em infraestruturas e maior produção agrícola. Além disso, espera-se que a população em idade activa no continente africano duplique para 1 bilião nos próximos 25 anos”, afirmou.

 O chefe de Estado frisou que o acordo sobre a Zona de Livre Comércio Continental Afri-cana, apresentará mais oportunidades através do acesso a um mercado de mais de 1 bilião de pessoas e um PIB global de mais de 3 biliões de dólares americanos.

 “O valor desta área de livre comércio só será plenamente realizado através de investimentos maciços em infra-estrutura e desenvolvimento de capacidades. Isso apresenta oportunidades para os países do BRICS, alguns dos quais têm ampla experiência em de-senvolvimento de infraestruturas e são líderes mundiais em educação e desenvolvimento de habilidades”, afirmou o líder sul-africano.

 A 10.ª Cimeira BRICS centrou-se na necessidade de fortalecer o relacionamento entre os BRICS e África.