África do Sul e China assinam acordos avaliados em 6,5 biliões de dólares

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África do Sul e China assinam acordos avaliados em 6,5 biliões de dólares

Os governos de China e África do Sul assinaram na quarta-feira acordos nos sectores de infraestrutura, indústria e recursos humanos avaliados em mais de 6,5 biliões de dólares no primeiro dia de visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping.

 Os compromissos foram assinados por ministros e representantes dos dois países após a reunião dos presidentes sul-africano, Jacob Zuma, e Xi na sede do governo em Pretória e envolvem tanto empresas governamentais como do sector privado de ambas as partes.

 "Presenciamos a assinatura de 26 acordos no valor de 94 biliões de randes (6,5 biliões de dólares)", declarou Zuma em entrevista colectiva conjunta transmitida pela televi-são.

 "As relações entre China e África do Sul estão mlhor do que nunca", disse Xi Jinping, que continuou no dia seguinte a sua visita oficial de dois dias e participou do 6.º Fórum de Cooperação África-China (FOCAC) em Joanesburgo na sexta-feira e no sábado.

 Xi Jinping mostrou-se "confiante" que a cúpula sirva para abrir uma nova era na cooperação entre a China e o continente africano, na qual ambas as partes se beneficiem de uma frutífera relação comercial, que por enquanto muitas vezes se limita à extração de recursos naturais por parte da China.

 O presidente Zuma citou na quarta-feira alguns projectos industriais chineses na África do Sul – principalmente no ramo metalúrgico – que servem para criar postos de trabalho e desenvolver o sector industrial no país, em linha com os objectivos desta edição do FOCAC.

 A cooperação comercial, marítima, cultural e no sector das comunicações, na ciência e na tecnologia foram outros assuntos sobre os quais os representantes de China e África do Sul assinaram acordos.

 Xi Jinping chegou à África do Sul após passar pelo Zimbabwé, onde iniciou uma viagem africana de cinco dias que terminou sábado, em Joanesburgo, com o encerramento do FOCAC.

 O comércio bilateral entre África do Sul e China chega a 271 biliões de randes anuais (mais de 18 biliões de dólares), segundo informou o governo da África do Sul, país considerado por Pequim como porta de entrada no continente africano.

 A China é o principal parceiro comercial da África do Sul e ambos os países mantêm relações políticas e económicas por meio do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O gigante asiático é também o principal parceiro comercial do continente.

 

* Chefes de Estado e de Governo de África abordam cooperação com Presidente chinês

 

 A cimeira de Chefes de Es-tado e de Governo do Fórum para Cooperação África-China realizou-se na sexta-feira e sábado na cidade de Joanesburgo, com a participação de delegações de mais de 40 países africanos.

 Os trabalhos foram orientados pelos presidentes da Chi-na e da África do Sul, Xi Jinping e Jacob Zuma, respectivamente. O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, participou no certame na qualidade de convidado de honra.

 O fórum decorreu sob o lema "China e África avançam de mãos dadas: cooperação de benefícios mútuos para o de-senvolvimento comum".

 Sobre a cooperação chinesa, a ministra angolana do Comércio, Rosa Pacavira, disse que a China é de facto uma grande potência a nível mundial e a sua ascensão em África é bem evidente em todos os domínios.

 Segundo a governante, constata-se hoje que a China está em 60 por cento dos países africanos, com uma cooperação muito forte, quer em tecnologias, quer na formação de recursos humanos.

 Referiu que ela está solidária com todos os países africanos e que esta cooperação deverá reverter-se em ganhos para as partes envolvidas.

 "A formação de quadros neste sentido é fundamental para que possamos ter recursos humanos capazes de concorrer com outros países em pé de igualdade", disse.

 Para a ministra angolana, verifica-se que muitos países africanos estão disponíveis para trabalhar com a China, principalmente no tocante às matérias-primas exportadas para este país asiático.

 Fundamentalmente, deta-lhou, a disponibilidade é nas áreas de educação, saúde, infra-estruturas, agricultura, entre outras.

 A África tem muita coisa para dar à China em termos de recursos. Temos estado a ex-portar matérias-primas, mas agora queremos trazer mais-valia para esta relação em todos os sentidos, concluiu.